segunda-feira, 29 de abril de 2013

ODE DE RICARDO REIS


Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
            Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
            Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
            Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
            Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
            Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.

27-9-1931



PESSOA, Fernando. Obra Poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992. p. 286
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