sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

RAZÃO DE SER

Mário de Oliveira (?-1977)


Quem na vida não tem, interiormente,
Uma ilusão, um sonho, um devaneio,
Já não vive, por certo, e já não sente
Brilhar a chama de um ideal no seio...

Viver, por existir, sem ter na mente
Sequer a leda miragem de permeio,
É ter n’alma a agonia do sol-poente,
Da própria vida estanque o doce veio...

Porque alimento um sonho assim, querido,
Do enlevo e de carinho entretecido;
Conservo o meu “Jardim” em floração.

E essas flores – de versos – que apresento,
Simbolizam, em parte e em pensamento,
Todo o encanto, sem par, de uma ilusão...


ZANNINI, Íris Célia Cabanellas. Fragmentos da cultura acreana. São Luís: CORSUP/EDUFMA, 1989. p.113

MÁRIO DE OLIVEIRA nasceu em Rio Branco. Licenciou-se em Ciências e Letras e em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade do Estado do Ceará. Homem de grande erudição, foi poeta, jornalista, orador, advogado e educador. Integrou também a Academia Acreana de Letras. É autor de “Jardim Fechado” (SERDA, 1971).
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