quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

NATAL

Fernando Pessoa (1888-1935) 


Nasce um Deus. Outros morrem. A Verdade
Nem veio nem se foi: o Erro mudou. 
Temos agora uma outra Eternidade, 
E era sempre melhor o que passou. 

Cega, a Ciência a inútil gleba lavra. 
Louca, a Fé vive o sonho do seu culto. 
Um novo deus é só uma palavra. 
Não procures nem creias: tudo é oculto. 


PESSOA, Fernando. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992. p.139
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