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sábado, 10 de abril de 2010

GIBRAN KAHLIL GIBRAN

Há 79 anos, em 10 de abril de 1931, desfalecia o autor de "O Profeta", o poeta do belo e da arte, o libanês Gibran Kahlil Gibran. Como leitor e admirador de sua obra não poderia deixar de lembrar essa data e partilhar um pouco mais com vocês, amigos e amigas.

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Vim para dizer uma palavra e devo dizê-la agora. Mas se a morte me impedir, ela será dita pelo amanhã, porque o amanhã nunca deixa segredos no livro da Eternidade. Vim para viver na glória do Amor e na luz da Beleza, que são reflexos de Deus.

Estou aqui, vivendo, e não me podem extrair o usufruto da vida porque, através da minha palavra atuante, sobreviverei mesmo após a morte. Vim aqui para ser por todos e com todos, e o que faço hoje na minha solidão ecoará amanhã entre todos os homens.

O que digo hoje com apenas meu coração será dito amanhã por milhares de corações.

- Gibran Kahlil Gibran -
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Ele escreveu coisas maravilhosas, e sua literatura e arte ímpares espalharam-se, traduzidas por mais de 30 países. Gibran manteve sempre seu sublime e independente culto ao espírito e aos ditames da ética.
Gibran Kahlil Gibran, em 1896, com 13 anos.

Para aqueles que o leem pela primeira vez, pode-se acentuar que ele combina as mais elevadas e vívidas percepções da realidade espiritual com uma poesia adornada e absolutamente individual.

Sua originalidade e poder conquistaram a admiração e até mesmo o fervor de milhões de leitores, em dezenas de línguas. Gibran também conquista quase igual reputação como pintor. Seus desenhos e pinturas eram expostos periodicamente pelas metrópoles mundiais. Quando o grande Rodin quis que lhe pintassem o retrato, Gibran, que era comparado a ele e a William Blake, foi o artista escolhido.

No mundo ocidental, esse poeta, filósofo e artista chegou a ser chamado de "o Dante do século XX". Para seus admiradores do Oriente Médio, ele é o Amado Mestre.

Uma testemunha dos funerais de Gibran, realizados em 1931, descreveu-os como tendo sido "além da imaginação". Centenas de padres e líderes religiosos, representando cada uma das grandes seitas do Oriente, ampliavam com suas presenças a emoção da solenidade. Lá estavam sacerdotes e dignitários Maronitas, Católicos, Xiitas, Protestantes, Muçulmanos, Gregos Ortodoxos, Judeus, Sunitas, Druzos e outros.

E, para completar a reintegração de Gibran no seio da Igreja, ele foi enterrado numa gruta do Mosteiro de Mar Carkis, em Bsharri, no Líbano — a diocese de sua infância.

Seu túmulo transformou-se num lugar de peregrinação. Ao lado, o Comitê Nacional de Gibran edificou um museu onde são expostos algumas das suas belas telas e os seus livros em todas as línguas. Em cima do túmulo, esta simples inscrição: "Aqui, entre nós, dorme Gibran."

Mas lá, na verdade, dorme somente seu corpo. Sua alma, difundida nos seus livros, serve de guia a milhões de leitores na mais fascinante de todas as viagens: a que leva o homem das trevas do egoísmo e da cegueira ao esplendor do dom de si e da compreensão.

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sexta-feira, 9 de abril de 2010

O CONHECIMENTO PRÓPRIO

Gibran Kahlil Gibran


E um homem disse:
- Fala-nos do Conhecimento Próprio.
E ele respondeu dizendo:
- O vosso coração conhece em silêncio os segredos do dia e da noite.
Mas os vossos ouvidos esperam escutar o eco do conhecimento do coração.
Gostarias de conhecer por meio de palavras o que sempre conhecestes em pensamento.
Gostarias de tocar com os dedos o corpo nu dos vossos sonhos. E está bem que gosteis.
A fonte secreta da vossa alma deve brotar e correr murmurando para o mar.
E o tesouro das vossas profundezas infinitas que ser revelado aos vossos olhos.
Mas não há balança para pesar o vosso desconhecido tesouro.
E não procurais os abismos do vosso conhecimento com a vara ou som a sonda.
Porque o eu é um mar sem limites e sem medida.
Não digais:
- Achei a verdade mas antes:
- Achei uma verdade.
Não digais:
- Encontrei o caminho da alma
dizei antes:
- Encontrei a alma a andar no meu caminho.
Porque a alma pisa todos os caminhos.
A alma não anda sobre uma linha mas cresce como a cana.

A alma desdobra-se como lótus de inumeráveis pétalas



sexta-feira, 19 de março de 2010

A TEMPESTADE

Gibran Kahlil Gibran

O pássaro e o homem têm essências diferentes. O homem vive à sombra de leis e tradições por ele inventadas; o pássaro vive segundo a lei universal que faz girar os mundos.

Acreditar é uma coisa; viver conforme aquilo que se acredita é outra coisa. Muitos falam como o mar, mas vivem como os pântanos. Muitos levantam a cabeça acima dos montes; mas sua alma jaz nas trevas das cavernas.

A civilização é uma árvore idosa e carcomida, cujas flores são a cobiça e o engano e cujas frutas são a infelicidade e o desassossego.

Deus criou os corpos para serem os templos das almas. Devemos cuidar desses templos para que sejam dignos da divindade que neles mora.

Procurei a solidão para fugir dos homens, de suas leis, de suas tradições e de seu barulho.

Os endinheirados pensam que o sol e a lua e as estrelas se levantam dos seus cofres e se deitam nos seus bolsos.

Os políticos enchem os olhos dos povos com poeira dourada e seus ouvidos com falsas promessas. Os sacerdotes aconselham os outros, mas não se aconselham a si mesmos, e exigem dos outros o que não exigem de si mesmos.

Vã é a civilização. E tudo o que está nela é vã. As descobertas e invenções nada são senão brinquedos com que a mente se diverte no seu tédio. Cortar as distâncias, nivelar as montanhas, vencer os mares, tudo isto não passa de aparências enganadoras, que não alimentam o coração nem elevam a alma.

Quanto a esses quebra cabeças, chamados ciências e artes, nada são senão cadeias douradas com as quais o homem se acorrenta, deslumbrando com seu brilho e seu tilintar. São os fios da tela que o homem tece desde o início do tempo sem saber que, quando terminar sua obra, terá construído uma prisão dentro da qual ficará preso.

Uma coisa só merece nosso amor e nossa dedicação, uma coisa só...

É o despertar de algo no fundo dos fundos da alma. Quem o sente, não o pode expressar em palavras. E quem não o sente, não poderá nunca conhecê-lo através de palavras.

Faço votos para que aprendas a amar as tempestades em vez de fugir delas.


GIBRAN, Kahlil Gibran. Todo Gibran. Seleção e tradução Mansour Challita. Rio De Janeiro: Associação Cultural Internacional Gibran.