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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

SENTADO NO MATO EM PLENO SOL

Robert Frost (1874-1963)


Houve uma vez e foi só esta
Em que a poeira abriu-se para o sol
E deste único contato de fogo
Tudo ainda suspira calorosamente.

E se os homens em vigília prolongada
Nem assim vissem o lado banhado de sol
Voltar à vida e sair rastejando
Não devemos levianamente zombar.

Deus um dia declarou que era verdadeiro
Mas depois tomou o céu e se retirou;
E lembre-se do silêncio tão total
Que sobre o mato, então, desceu.

Deus já conheceu cada qual por seu nome
O sol já um dia sua chama concedeu.
Um impulso permanece como alento,
O outro permanece como fé. 


FROST, Robert. Poemas escolhidos de Robert Frost. Tradução de Marisa Murray. Rio de Janeiro: Lidador, 1969. p.88

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

POEIRA DE NEVE

Robert Frost


Da árvore da cicuta
Ao voar, de leve,
Um corvo atirou-me
A poeira da neve

Fez no meu coração
Uma grande mudança
Salvou um dia triste
Sem qualquer esperança. 


FROST, Robert. Poemas escolhidos de Robert Frost. Tradução de Marisa Murray. Rio de Janeiro: Lidador, 1969. p.65

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

LUGARES DESERTOS

Robert Frost


Neve caindo e noite caindo rápida, bem rápida
Num campo que vi de passagem
No solo quase coberto de neve macia,
Algum capim ainda aparecendo.

Também o mato em volta está coberto
Todos os animais abafados em suas tocas.
Estou muito distraído para contar;
A solidão me envolve sem querer.

E solitária como é esta solidão
Será mais só ainda antes de o ser menos –
Brancura vazia de neve na noite que cai
Sem nenhuma expressão, sem nada a exprimir.

Não podem me assustar com seus espaços vazios
Entre estrelas – onde não há raça humana.
Pois tenho dentro de mim, muito mais perto,
Meus próprios desertos para me assustar. 


FROST, Robert. Poemas escolhidos de Robert Frost. Tradução de Marisa Murray. Rio de Janeiro: Lidador, 1969. p.99 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A ESTRADA QUE NÃO TOMEI

Robert Frost


Duas estradas num bosque amarelo divergiam;
Triste por não poder seguir as duas
Sendo um só viajante, muito tempo parei
Olhando uma delas, até onde podia alcançar,
Pois, atrás das moitas, ela dobrava.

Então tomei a outra que me pareceu de igual beleza,
Uma vantagem talvez oferecendo
Por ser cheia de grama, querendo ser pisada;
Embora neste ponto o estado fosse o mesmo
E uma, como a outra, tivesse sido usada.

E naquela manhã todas duas tinham
Folhas ainda não escurecidas pelos passos
Ora! Guardei a primeira para um outro dia!
Mas sabendo como uma estrada leva a outra,
Duvidei poder um dia voltar!

Contarei esta estória suspirando,
Daqui a séculos e séculos em algum outro lugar:
Duas estradas, num bosque, divergiam; e eu
Tomei a que era menos frequentada;
E foi isso a razão de toda a diferença!


FROST, Robert. Poemas escolhidos de Robert Frost. Tradução de Marisa Murray. Rio de Janeiro: Lidador, 1969. p.39

sábado, 31 de agosto de 2013

SE ME...

Se me perdoardes, Senhor
As pequenas peças que Vos preguei
Eu vos perdoarei
A enorme peça que vós me pregastes. 


FROST, Robert. Poemas escolhidos de Robert Frost. Tradução de Marisa Murray. Rio de Janeiro: Lidador, 1969. p.135

terça-feira, 20 de agosto de 2013

O CONSERTO DO MURO

Robert Frost (1874-1963)


Há alguma coisa que não gosta de muro,
Que incha o chão gelado por baixo dele,
E derruba ao sol as pedras lá do alto,
E faz brechas onde até dois podem passar juntos.
O que os caçadores fazem já é uma outra coisa:
Eu vim atrás deles e consertei
Onde não haviam deixado pedra sobre pedra.
Mas queiram forçar o coelho para fora da toca
Para agradar aos cães barulhentos. As brechas de que falo,
Ninguém viu, ninguém ouviu fazê-las,
Mas na primavera, nos consertos, nós a encontramos lá.
Aviso ao meu amigo lá atrás da colina.
E um dia nos encontramos para verificar
E reparar o muro entre nós mais uma vez.
Mantemos o muro entre nós enquanto vamos.
Cada um recoloca os blocos que caíram do seu lado.
Os pedaços são diversos, uns quase como bolas
Temos que usar de mágica para que fiquem certos:
“Fiquem onde estão até virarmos as costas!”
Nossos dedos ficam ásperos de trabalhar com elas.
Oh, apenas outra espécie de jogo ao ar livre,
Um de cada lado. Ou pouca coisa mais:
Lá onde está não precisamos do muro:
Do seu lado é tudo pinheiro. Do meu, pomar de maçã.
Minhas macieiras nunca passarão o muro
Para comer as pinhas dos pinheiros, digo-lhe eu.
Ele apenas responde, “Boas cercas fazem bons vizinhos.”
A primavera torna-me implicante, e lhe pergunto
Se poderia brincar com ele um pouco:
Porquê fazem bons vizinhos? Não é só
Onde há vacas? Mas aqui não há vacas.
Antes de construir um muro queira saber
Contra quem ou contra o que eu construo,
E a quem com isso iria eu ofender.
Há alguma coisa que não gosta de muro,
Quer vê-lo por terra. Podia dizer-lhe “Duendes”,
Mas não são mesmo os duendes. Gostaria
Que ele mesmo o dissesse. Eu o vejo lá
Trazendo firmemente segura uma pedra
Em cada mão, armado como um selvagem das cavernas.
Ele vai, parece-me, andando nas trevas
Que não são todas de bosques, nem de sombras
E não seguirá o que seu pai dizia
E muito contente por ter pensado nisso
Repete “Boas cercas fazem bons vizinhos.” 


FROST, Robert. Poemas escolhidos de Robert Frost. Tradução de Marisa Murray. Rio de Janeiro: Lidador, 1969. p.20

“A verdade é que Frost foi o primeiro americano que pôde ser honestamente reconhecido como mestre-poeta pelos critérios mundiais.” Robert Graves