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domingo, 17 de julho de 2022

SOBRE CULTURAS CONDENADAS NA EXPRESSÃO LITERÁRIA AMAZÔNICA

Maria de Nazaré Cavalcante de Sousa

              Roa Bastos organiza a obra Las culturas condenadas (2011), uma seleção de artigos de vários pensadores pelos quais denunciam as tragédias da escravidão, degradação, racialização e extermínio das comunidades paraguaias indígenas desde a invasão europeia na América Latina. Segundo aponta: “Há um prejuízo racista latente, querem crer que a morte física e cultural tem o germe e causa na debilidade racial” (p. 18). Com essa assertiva o escritor levanta uma série de questões e convida intelectuais a refletirem sobre o que se costuma denominar de assimilação cultural de povos “submissos” culturalmente. Roa se refere às etnias indígenas do Paraguai e também ao povo explorado.

     Roa apresenta olhares de antropólogos, intelectuais que relatam situações tão caras ao processo de colonização neste continente. Pontua sobre a agressividade de ações de colonizadores justificadas a partir da ideia de uma superioridade racial e cultural.  Trata-se de uma temática ainda tão atual. De forma incisiva, o autor coloca em pauta o que se tornou um embate entre a “sociedade indígena e a sociedade nacional”, o que mantem ao longo dos séculos, um problema de origem, certamente, que descarta a potência da cultura indígena e da sua cosmologia na compreensão do espaço latino americano.

      Ao denunciar o extermínio (físico e cosmológico) das comunidades indígenas motivado pela pretensa hierarquia cultural e racial, confirma-se a atualidade nos escritos de Roa sobre discursos da pós-modernidade, uma categoria que reforça de forma velada a condição de colonialidade (categoria do grupo modernidade-colonialidade) permanente em nosso continente impondo condições coloniais de poder, de ser e de saber conforme os ditames do, ainda, processo civilizatório instituído. Nesse sentido, como política de enfrentamento e não apenas de resistência ao estado de colonialidade estabelecido, são fundamentais a escuta e o compartilhamento de ações de setores subalternos da sociedade que se manifestam como produtores de seu próprio destino, assumindo suas práticas de vida, suas experiências como constitutivos de outras narrativas de conexões culturais e cosmológicas.

     Roa Bastos chama atenção para o que denomina como nova atitude antropológica pela qual pesquisadores da etnologia e da etnografia têm resgatado as culturas indígenas condenadas, colocando-as em seus escritos, tal qual como as tratadas numa sociedade colonizadora. Neste grupo de intelectuais, os literatos têm atuado de forma contundente em narrativas que denunciam a condição das pessoas em espaços convertidos em colônias permanentes.

     O presente texto engaja-se às reflexões do escritor paraguaio propondo dialogar com a escrita de um branco (o escritor amazonense Paulo Jacob), desta feita da Amazônia brasileira, que se manifesta, assim como Roa Bastos, numa condição de aliado de tais condenados que vivenciam, como os indígenas paraguaios, as mesmas condições de apagamentos culturais e de condição de racialização perene. Uma leitura que caminha em busca de reafirmar a necessidade de constante diálogo entre culturas diversas que ainda se mantem por toda a América latina, acreditando que muito pouco se avançou em estabelecimento de diálogos e atitudes equitativas em torno dos apagamentos culturais.  

       Manuela Carneiro em prefácio do livro Pacificando o branco (Bruce Albert e Ramos, 2002) discute sobre a urgência de intensificar outros discursos antropológicos, levanta sobre a necessidade de estudos que   dialoguem com percepções e atitudes dos que foram postos na condição de subalternizados na América Latina, ou seja, tornar pulsante e colocar em confronto com o “pensamento modelo”, destituindo a carga substancial de nossos preconceitos e imaginação em relação ao outro. Insiste que seja revisto o olhar etnocêntrico que constantemente é legitimado no universo acadêmico. Embora pareça um discurso superado, ainda se encontra bastante arraigado em diversas universidades brasileiras, por exemplo. 

     Assim, é importante que nos coloquemos como objetos de outras subjetividades, o que torna possível avançar para uma construção de vivências entre povos como aporte de uma alteridade cultural. Caminhando nesse sentido, para se safar do desejo colonizador da cultuação das inventividades culturais e raciais impostas aos diversos povos da América Latina, sobretudo para que se supere a cosmogonia cristã que discrimina todas as subjetividades dos demais povos. Manuela Carneiro propõe a inserção de narrativas outras com o objetivo de neutralizar para deslegitimar a atual naturalidade e legitimação da ordem social. O que consideramos na perspectiva decolonial como um desmonte do poder, do ser, do saber e do ver eurocentrados.

         Vivendo sob mesmo sistema de colonialidade (Quijano,2007), a Amazônia, no século XX, apresenta como referência de prática de desconstrução de um saber colonial historicamente construído, intelectuais como o literato amazonense Paulo Jacob, que se distanciando do discurso homogêneo sobre o espaço e seus habitantes, imprime em seus escritos outras formas de subjetivação, revendo a condição de racialização vivida pelos povos que habitam este lugar.   

     Neste universo literário, Jacob elege seus personagens amazônidas como mulheres, nativos, indígenas, crianças e outros seres como animais e plantas, com os quais busca formas de confrontar e desafiar a visão de racionalidade e de ser e saber estabelecidos pela sociedade nacional.  Seus romances (em torno de 12 obras de ficção) evidenciam e propõem o protagonismo e visibilidade principalmente da mulher, dos rios, das árvores, dos animais e dos demais seres da Amazônia em mesma condição de existência, inserindo em sua escrita as línguas de diversas etnias, a situação da terra, da floresta que constituem esta região.

     Como exemplo, a prosa poética Amazonas, remansos, rebojos e banzeiros, publicada em 1995, obra que imerge no universo indígena trazendo para o plano ficcional as questões que Roa Bastos levantou em Las culturas condenadas, em relação ao extermínio e ao apagamento cultural. Com isso, Jacob, na Amazônia, instiga a leitura na tentativa de impor-se no espaço em que a literatura ainda é do herói branco. Jacob, como os antropólogos de Roa, inverte a “lógica” histórica.         

       Em Amazonas, remansos, rebojos e banzeiros com a presença de um narrador-personagem, o enredo desenrola em completa simbiose do homem e natureza, ambos em compartilhamento de vidas no mesmo espaço. A abordagem temática e a própria opção de escrita do autor instigam-nos a repensar formas de construções de imaginários que circulam no mercado de produção e consumo de visualidades (colonialidade do ver) promovidos há um longo tempo na ficção sobre a região amazônica e na própria América Latina.

    O enredo compõe-se de inter-relações imagéticas do que historicamente a episteme eurocêntrica de cultura x natureza instituiu como visões binárias. Não é uma obra de enredo idílico, encontramos um rosário de peculiaridades, de ações e tipos humanos e não humanos que externam práticas de coexistências no mesmo patamar de subsistências relacionadas ao corpo e a alma, ou mente. Homem e natureza, ambos com suas almas, convivendo em interação, cumplicidades e divergências traduzindo imagens e sensações que resgatam tradições e indicam caminhos futuros para uma re-existência dos povos (Walsh, 2007).

       Amazonas, remansos, rebojos e banzeiros é um convite do narrador-personagem para embarcar em mundos que negociam imaginários amazônicos ao expressarem suas desesperanças e esperanças em dividir o efervescente cotidiano da floresta entre amigos: a amiga samaumeira (uma das espécies das árvores amazônicas) e um indígena de etnia Inca. A obra pode ser lida também como um projeto de interculturalidade, no sentido de que vislumbra uma re-inserção no universo das tradições, das ontologias ancestrais para atingir buen vivir (Walsh, 2007).

      A obra em questão já no título metaforiza a vida imergindo e sacolejando nas águas de seus imensos e importantes rios que sustentam os seres do lugar. O transitar e o equilíbrio deste universo. Numa relação de trocas de vivências neste espaço, o narrador-personagem nos conta (e também, para a amiga samaumeira) a história do povo inca, da exploração espanhola e seu estabelecimento nas planícies amazônicas. Um narrar que desafia ao padrão colonial do ser que separa a comunhão humano-natureza, evidenciando o protagonismo indígena, numa perspectiva de olhar às cosmovisões e práticas existenciais, territoriais, espirituais dos povos indígenas e das raízes africanas.  

      Catherine Whash reafirma a importância dessa construção de interculturalidade e ilustra essa postura em Eduardo Galeano quando escreveu sobre a constituição do Equador, relacionando a Natureza em pé de igualdade com o humano:

    Desde que a espada e a cruz desembarcaram em terras americanas, a conquista europeia castigou a adoração da natureza, que era pecado de idolatria, com pena de açoite, forca ou fogueira. A comunhão entre a natureza e o povo, costume pagão, foi abolida em nome de Deus e posteriormente em nome da Civilização. Em toda a América e em todo o mundo seguimos pagando as consequências deste divórcio obrigatório (Galeano, A natureza não é muda-quando discutia sobre a nova constituição, 2008)

        Distanciando da temática naturalizada da literatura (sociedade nacional) sobre a Amazônia, essa prosa poética aponta uma inspiradora re-visualidade em seus escritos, pois enfrenta a malfadada temática da dicotômica Amazônia descrita para exportação dividida entre inferno e paraíso. São questões que Adolfo Achinte (arte decolonial) toma para si quando afirma:  Fazer arte de acordo com os cânones hegemônicos petrifica uma única direção da informação, não é uma forma de criar, mas uma forma mais refinada e complexa de consumir. (ACHINTE, p.158). Disso Paulo Jacob se liberta.

    A prosa poética de Jacob apresenta uma temática que propõe sumak kaway (vida em harmonia) ou o buen vivir (viver bem) baseada numa relação dualista, insistindo na construção de valores não somente material, mas espiritual, unindo energia e força sem provocar binarismos e que aponta para convivência - a vivência em respeito e dignidade.

        Os 44 capítulos se constituem também em um verdadeiro dicionário de termos e seres da Amazônia interfronteiriça, uma riqueza de tipos e viveres em convivências imbricadas entre si para a garantia da compreensão de que nós pertencemos a terra, e não ao contrário, ou seja, a terra não nos pertence. Trilhando pela narrativa, há uma espécie de prosear entre velhos conhecidos, conversas de compadres, o narrador e a sumaúma, ora falam sobre a mata, rios, ora falam sobre o tempo ou sobre os irmãos da floresta. O narrador cumpre a missão de evocar a natureza e tudo que nela está contida em sua idiossincrasia, pois ele é parte intrínseca dela. Toma o rio Ucaiali como parceiro na trama que entremeiam as ações de outros personagens: ‘Tempão medonho. Cem anos, noventa talvez. O Ucaiali crescido no pé da terra. Terrão bonito, verdoso, estirado. Julho, agosto, setembro, dias assim. Os baixios florados. As samaumeiras parindo frutos de criação. (Jacob, p.09)

      Nesse ritmo, o enredo se desenrola. O narrador por vezes confidencia a amiga e irmã samaumeira segredos de seu povo, os irmãos incas nos momentos de rituais, de acasalamento e quando atacados pelas armas dos homens barbudos (brancos):

     Capac certa da feita foi ferrado de tapiú. Botou cataplasma de matecclu, mode o trato do inchaço. Cura do conhecimento dos incas. Logo sarou o ferido, passou a febre.” (Jacob, p.23) e:

 Homens, mulheres, crianças tudo acabado. Brancos barbudos, perversos, malignos. Com flecha não deu jeito de enfrentar. Muita gente, muita taboca de matar. Levaram as mulheres. Fizeram mal as coitadas. Muitas morreram. Vingança nunca foi maldade. Não conheces o nosso passado bela samaumeira. (Jacob, p.15)

  Ou ainda para demonstrar o parentesco dele, o homem, terra e mata confidencia à sumaumeira que: “Os bons filhos do sol quando morrem se encarnam nas árvores. Sobem às estrelas. Clareiam a terra, dão cores ao arco-íris” (Jacob, p.25)

      Ou sobre as festas quando lembra: “O Inti Raymi, a grande festa do sol. Começo do cultivo nos campos. Os caminhos abarrotados de gente. Subiam e desciam os Andes. Atravessavam rios, igarapés, pontes de cipó. Acampavam ao lado do templo em Cuzco. Traziam carrego de batatas, milho, feijão, coca. Ao lado do Sapa Inca, a Coya, a rainha e os nobres. (Jacob, p25)

           O narrador-personagem articula as ações e negociações de seu povo no processo de interação e de aprendizado com outros povos que circundam a floresta e com conflitos e ensinamentos dos bichos, das árvores sobre viver bem nesse espaço.

    Anibal Quijano (2007), demonstra que há muito tempo se vem discutindo sobre estes viveres ao mencionar a produção literária de José Argueda que aponta as comunidades indígenas latino-americana em uma  proposta de comunidade solidária, realidades materializadas no dia-a-dia do povo indígena – os palenques e outros tipos de comunidade tradicional – suas metas de felicidades – hoje chamada de bem viver a partir da categoria indígena, em que colocam  no centro a vida das relações humanas com o meio natural – e não orientam suas vidas pelo meio do cálculo, custo-benefício, produtividade, competitividade, etc., suas vidas são divergentes do projeto de capital. (Quijano, p.18)

      Há um enfrentamento na postura desses personagens e espaços em relação a organização etnocêntrica referente ao ego cogito cartesiano (sujeito puramente pensante que entende a existência subalternizando ao corpo) instituído principalmente pelo pensamento eurocêntrico. Quijano, citando Rodolfo Kusch (2000), aponta o pensamento indígena e popular na América Latina em comunidades que não se expressa em sentido corpo-objeto, mas através de acontecimentos em que o emocional cumpre papel fundamental.

     Em algumas línguas indígenas não há uma palavra para sujeito nem objeto. Palavras que podem aproximar-se de ‘sujeito’ é a palavra coração, as relações se estabelecem entre corações intersubjetivamente:

               ...al estudiar la etnia tojolabal plantea que em la lengua de esa comunid no existen las palavras ‘sujeto’ ni ‘objeto’. La palavra que más puede aproximarse a ‘sujeto’ es ‘corazón’ y la relación que se estabelece es entrecorazones, intersubjetiva. Pero como ‘todo tiene corazón’ (la tierra, minerales, vegetales, animales, etc.) (In Farias, p.04)

       Walter Mignolo (2005) irá propor o termo corpopolítica do conhecimento como forma de superação do egopolítica do conhecimento. De certa forma, propõe uma discussão que obriga a desestruturação da relação sujeito-objeto e defende uma intersubjetividade, englobando a terra (pachamama) colocando em evidência a sacralização na perspectiva de uma ecologia crítica. Expõe em suspeição o mito moderno do progresso em detrimento do mito libertador (não lógica antropocêntrica).

    Embora cada povo tenha suas relações cosmológicas e elegem em suas culturas ações especificas de cada etnia, a maioria entende a cosmovisão de sua existência. Matías Ahumada (...), pesquisador indígena, afirma que uma comunidade não se reconhece a si mesma por fora do lugar que habita. Não há uma exterioridade definitiva, mas algo como uma interioridade projetada no vale, na montanha, ou na mata.

     Voltando à prosa poética de Jacob, o narrador em conversa com sua amiga samaumeira reflete sobre as hierarquias existentes na cultura de seu povo. O dever de respeito ao rei Sapa Inca. As relações de casamentos, entre outros dentro do sistema de vida deste. O ângulo de visualidade que é estabelecida a partir do olhar etnocêntrico é posto em suspeição.  Entre outros acontecimentos, a samaumeira amiga tomba, é chegada sua hora, é levada pelas águas, rio acima e rio abaixo.  O narrador reserva os últimos capítulos para observar todo o processo de morte, de seu transportar-se para às margens do rio, de perigo que corria após seus restos mortais serem desviados de seu natural caminho (rumar no rio). É um narrar melancólico, de tristeza e pesar:

    “O curumim brincando. Saltava na água de cima do tronco. Tempão enorme nadando. Quis navegar na samaumeira. Tirou a envira de amarrada. A tronqueira saiu bubuiada. Cortada, servindo de jangada. Andar dias, meses, anos talvez. Caminhada cansadiça, perigosa. Um dia quem sabe sustar caminho. Parar nos restantes da vida. O tronco morto, apodrecido, largado aos pedaços. Caveira podre de quem tão bela e orgulhosa foi. (Jacob, p.73)

         A prosa poética de Paulo Jacob alimenta a ideia de um giro decolonial para que a coexistência de homem e natureza deva prevalecer, tomando como princípio os sentimentos da luta para viver na Floresta.  A trama inicia às margens do Ucaiali (Peru) e perambula entre os rios da floresta, quando a samaumeira segue seu destino. No tecer das histórias de cada um presente no enredo constrói-se de uma postura digna, tanto da natureza como do humano, submetidos nessa natureza como partes iguais. Pensar a natureza e o ser humano em relação de trocas e valores é uma irracionalidade própria da lógica-sujeito objeto.

     No enredar da conversa das personagens há uma esperança acalentada na busca da construção de uma soberania alimentar, uma agricultura familiar e ao regresso dos saberes originários um desejo intrínseco de uma relação íntima em Abya Yala. Há também uma disposição para uma aposta em um projeto de vida, de re-existência, de sentir-pensar e conviver em desacordo com a ordem dominante da matriz moderno/colonial.

    Roa Bastos selecionou – na obra Las Culturas Condenadas – uma série de textos antropológicos para dizer basicamente que as sociedades indígenas e não indígenas latino americanas – embora colonialmente condenadas – são povos que resistem física e culturalmente. Roa demonstrou isso com o testemunho de etnólogos e etnógrafos, caso dos aliados politicamente de suas causas. Paulo Jacob, um literato brasileiro, amazonense em Amazonas, remansos, rebojos e banzeiros demonstra o quanto a literatura cumpre também tal papel, no caso em relação às culturas condenadas dos povos ameríndios amazônicos – cumprindo, com isso, um, portanto, compromisso decolonial.

     Las culturas condenadas e Amazonas, remansos, rebojos e banzeiros levantam questões pertinentes que possibilita prosseguimento ao projeto de descolonização com que se tem empenhado alguns grupos de políticos e intelectuais latino-americanos. Compreendendo que a formação da ideia dialética de ‘nós’ e dos ‘outros’ é constituição de uma representação de poder. Criou-se no outro, o povo originário, seres desprovidos de saber e cultura que foi o contraponto da exigência colonial de transportar a civilização e a sabedoria para os povos que viviam na ignorância e impuseram-se como referência, isso percebemos na escassez na produção escrita sobre temáticas como a do amazonense Paulo Jacob. Distanciando da temática naturalizada da literatura sobre a Amazônia, a obra aponta uma inspiradora re-visualidade em seus escritos, pois enfrenta a malfadada temática da dicotômica Amazônia descrita para exportação dividida entre inferno e paraíso. Como também, na preocupação de Roa Bastos em compilar textos importantes denunciando a condição de aniquilamento, temáticas que advertem sobre as formas que foram construídas a condenação das culturas, apagando vozes, marginalizando povos de etnias que resistem e buscam aliados que lutem para o ‘lugar devido’ de suas histórias na América Latina.

 

Referências

Bastos,Roa. Las culturas candenadas. Compilación Augusto Roa Bastos. La Edición Servilibro Asunción, septiembre 2011

Bruce, Albert e Alcida Rita Ramos. Parcificando os Brasncos – Cosmologias do contato- norte amazônico. Editora:  São Paulo:IRD Éditions, Emprensa Oficial. Edição: 2002

Jacob, Paulo. Amazonas.Remansos, Rebojos e Banzeiros. Nórdica: rio de Janeiro,1995.

Quijano, Anibal. Colonialidad del poder y clasificación (p.93).In: El giro decolonial: reflexiones para uma diversidade epistémica más allá del capitalismo global/ compiladores Santiago Castro-Gómez y Ramon Grosfoguel- Bogotá: siglo del Hombre Editores: Universidad Central, Instituto de estúdios sociales Contemporáneos y Pontifícia Universidad Javeriana, Instituto Pensar, 2007.

LA TRONKAL( Grupo de trabajo geopolíticas y prácticas simbólicas). Desenganche – visualidades y sonoridades otras. Quito:  ABILIT,2010.

MIGNOLO, Walter. A colonialidade de cabo a rabo: o hemisfério ocidental no horizonte conceitual da modernidade. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber. Eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005, p. 24-32.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidad y modernidad/racionalidad. Perú Indígena, v. 13, n. 29, p.11- 20, 1992.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade, poder, globalização e democracia. Novos Rumos, v. 37, n. 17, p. 4-28, 2002.

WALSH, Catherine. La educación Intercultural em La Educación. Peru: Ministerio de Educación, 2001.

 WALSH, Catherine. ¿Son posibles unas ciencias sociales/culturales otras? Reflexiones en torno a las epistemologías decoloniales. Nomadas, n. 26, p. 102-113, 2007.

 

* Maria de Nazaré Cavalcante de Sousa é doutora em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC.

segunda-feira, 15 de março de 2021

TEMPOS INFINITOS: SOBRE A COLONIALIDADE DE GÊNERO NA LITRATURA AMAZÔNICA

 Maria de Nazaré Cavalcante de Sousa[1]

 

          O Tempos Infinitos, romance do amazonense Paulo Jacob (1921-2003), narra a história de Maria Mariana, mulher branca, solteira e proprietária de um seringal no interior do Amazonas.  A ficção aborda convivências entre homens e mulheres em seu cotidiano nos tempos áureos da produção da borracha na Amazônia brasileira. Narrativa que se diferencia de grande parte da ficção produzida nesse período, quando escolhe inserir o protagonismo feminino num espaço de domínio masculino, instigando, com isso, a que se reflita questões como raça, cultura e gênero numa região tratada pela “razão moderno colonial” como periférica.

     O romance demostra que não se trata apenas de dar voz às histórias locais para que rompa-se o projeto universalizante colonial de cultura e de poder. Ele desafia discutir sobre a própria constituição de gênero que está arraigada na estrutura de poder e no imaginário cultural. Neste caso, em relação aos seringais, espaços em que mulheres sempre foram e continuam sendo (re)tratadas como coadjuvantes e submissas e, na maioria das vezes, vítimas das atrocidades – sutis ou não - de homens que habitam estas terras. 

      Diante de um protagonismo inusitado às temáticas ficcionais sobre a Amazônia, o presente texto pontua questões de gênero presente na condição de uma mulher que exerce o lugar de empregadora de um grupo de seringueiros homens.  Tendo como base teórica os estudos da socióloga argentina Maria Lugones[2], esta relação de poder ganha espaço aqui para refletir sobre a colonialidade de gênero, segundo a qual há um vacilo histórico sobre as lutas das mulheres, na medida que algumas correntes filosóficas se negam a enfrentar a condição de exploração e agressão que a mulher latino-americana tem sido vítima ainda no século XXI.

        Na ficção, a protagonista de Tempos Infinitos é uma seringalista.  É proprietária do seringal Cabuquena, localizada no interior da Amazônia, empresa que administra com notada competência e severidade. Em contraponto às pseudo qualidades profissionais desta, a trama será guiada por um caminho que apela em relatar prejulgando as vivências sexuais de Maria Mariana que, contrariando ao serviu e casto perfil de mulher, é enredada como dona de um apetite sexual invejável. Em suas investidas, usa seus empregados como amantes de forma natural, atitude irreparável a uma mulher, segundo aos condicionamentos cristãos e ao imaginário cultural latino americano. Em situação de chefia, a personagem é descrita como uma patroa que submete seus empregados ao trabalho extenuante. Negocia de igual com os demais seringalistas da região e é temida pela religião, representada por um padre que se sente seduzido quando se hospeda para as desobrigas no seringal desta. Como uma espécie de epifania patriarcal, ou punição na trama, há uma reviravolta no decorrer dos acontecimentos quando Maria Mariana se apaixona por um indígena, prisioneiro do seringal. As atitudes da protagonista terminam por encarcerá-la numa condição de submissão afetiva, como forma de manutenção do ato punitivo por transgressão à estrutura patriarcal.

       A trama de Paulo Jacob insinua, em grande parte, a destituição da condição submissa da mulher de ser e de ter no estado de domínio patriarcal e propõe uma reinserção desta na condição de não submissão ou vítima da opressão. No entanto, a tese não é sustentada, a narrativa torna por construir um espaço de conflito quando revela o enraizamento das estruturas patriarcais de poder que foi imposto no processo de colonização. Maria Mariana é uma protagonista complexa que, para inserir-se no universo masculino do lugar, conduz sua prática em realizações sexistas, o que não faz blindá-la do julgamento racista por parte desta comunidade. Esse estado de ambivalência é uma constante no fio condutor da narrativa que perpassa pela negação contínua da legitimidade do poder instituído à Maria Mariana diante da condição feminina. Em sua maioria, os diálogos reforçam a conduta comparada aos demais seringalistas em relação à administração de seu seringal. Essa reprodução de poder hierárquico, assumido pelo colonizado numa relação de superioridade, é refletida pelo pensador Maldonado-Torres quando discute sobre gênero e sexualidade:    

O modelo de gênero e sexo do colonizador é tomados pelos sujeitos colonizados como direcionador de suas próprias performances em seus esforços de parecerem normais em um mundo que consideram essencialmente anormais, deficientes e maus. Isso leva a formas agressivas de masculinidade beligerante entre aqueles considerados como perpétuos derrotados e inimigos sub-humanos. Também leva homens e mulheres colonizados a procurarem vários modos de escapar dessa condição, buscando estar com colonizadores masculinos ou assumir o lugar deles.[3]

         Assim, na trama, a protagonista é definida como uma pessoa destemida e de ações violentas:

Dona Maria Mariana não prestava mesmo, matava seringueiro, ficava com saldo, pouca vergonha, amigada com os empregados da casa(JACOB, p.13) Dona Maria Mariana era acatada pelos outros coronéis, braba, rancorosa. Não é mulher de brincadeira, quando promete faz. Não só ameaça, cumpre a palavra, ditou a morte de alguém, pode acender a vela...Ninguém impõe ao mando dela...mulher absoluta. Escorraça seringueiro. Mata índio e pratica as maiores malvadezas. Ninguém se atreve a falar nada... Mulher de grandes posses.[4]

       Descrições que reafirmam a incorporação ontológica da cultura do colonizador masculino em ambos os sexos. As características heterossexuais sobressaem numa perspectiva sexista, mas - ao mesmo tempo no lugar que ocupa e vive - é rejeitada por ser mulher. Nesta ambivalência, a personagem sofre agressões por sua decisão em exercer sua condição de mulher independente e de exercer com liberdade sua feminilidade. Assim, torna-se alvo do machismo estrutural. O narrador se encarrega de reproduzir a leitura que os moradores do lugar fazem da mulher, evidenciando a situação de vulnerabilidade moral e social vivido por esse gênero: Gosta mesmo é de homem, enxergou um macho, se põe oferecida vive de safadezas. Não merece trato respeitoso, puta ratuína.[5]

      Nesta ambivalência maniqueísta, em confronto com as diferenças subontológicas e ignorando a visão ocidentalizada da condição de gênero, segue a narrativa demonstrando as fragilidades conceptivas com que vai sendo alinhavada a trajetória do papel feminino no interior da ficção. A protagonista é um produto do patriarcado, ela não confronta as barras do racismo epistêmico, do massacre de gênero e de todo o entorno do patriarcalismo forjado pelo sistema colonial capitalista. Ao contrário, reforça, em seu perfil de mulher patroa, uma mantenedora do estado de injustiça, de opressão e agressão aos submissos sob seu comando, contribuindo, assim, para a manutenção de um permanente estado de colonialidade de poder como concebe Anibal Quijano[6]

   A personagem feminina torna-se legitimada em suas relações como um modelo do homem branco, heterossexual e opressor, o que segue por transigir uma ordem de escravidão em sua realidade contemporâneo. Por outro lado, se levarmos em consideração a ousada proposição de um protagonismo feminino, no contexto de extremo domínio patriarcal, o romance pode ser compreendido como um conteúdo de resistência ao desafiar a norma estabelecida do espaço em confronto com o sistema patriarcal.  Embora não haja epifania desse enfrentamento, a contradição se mantem, já que Maria Mariana é massacrada mesmo com o predicativo de ser patroa, uma mulher que exerce sua feminilidade e, é independente economicamente.

    A sua condição de gênero a define em uma relação de subalternidade dentro do sistema patriarcal.  O enredo apresenta uma condição maior de ontologia impressa pelo estado de colonialidade, reafirmado quando esta subverte os dogmas cristãos, de modo que é esquecida a condição de poder econômico que a esta detém no lugar e passa a ser julgada quando resolve viver sua condição de mulher livre que acredita ser, no seu espaço social. Mesmo sendo privilegiada pela cor, dentro dos padrões hierárquicos em que a mulher branca, burguesa se diferencia da condição social das demais mulheres, por exemplo: as negras e indígenas.

         Anibal Quijano[7] aponta a diferença racial como o primeiro motor da desigualdade nas formas de trabalho e nas relações entre os sexos na constituição do sistema patriarcal, capitalista, moderno colonial, englobando todos os aspectos que essas categorias implicam. Na condução de seu discurso, a partir do conceito de raça que irá ordenar a formação de hierarquias, entre elas está a reflexão em relação ao gênero.  Reflexão que Lugones[8] destaca como importante nesta conceptualização do feminismo decolonial, um pensamento que traz elementos que auxiliam repensar criticamente a participação e condição da mulher na América Latina.

     Ao resistir a tais modelos próprios do padrão colonial de poder e de ser patriarcais, a mulher, Maria Mariana, desestabiliza o universo em que se encontra inserida. O primeiro ponto é em relação ao papel determinado à mulher branca heterossexual na hierarquia tradicional patriarcal, a formadora de uma família nuclear. Essa família que, para a pesquisadora nigeriana Yeronke Oyewumi[9], é uma representação principalmente da subordinação da mulher ao marido, seu “proprietário”, o que a faz, consequentemente, geradora de filhos. A filósofa irá determinar a sexualidade como um ponto divergente nos papeis sociais de gênero. No Ocidente a mulher é moldada e educada para ser esposa obediente e mãe exemplar. Assim, a maternidade - que em muitas outras sociedades constitui a identidade dominante das mulheres - nesta cultura a mulher é condicionada ao papel de procriação e a lactação que, geralmente, é determinado como parte da divisão sexual do trabalho. A formação de casais pelo casamento está assim constituída como a base da divisão social do trabalho. Na maioria das culturas, a maternidade é definida como uma relação de descendência, não como um compromisso de reprodução e continuidade de dominação hierárquica de poder patriarcal. Em seus estudos, a pesquisadora mostra como a imposição colonial em relação ao gênero abarca a subordinação das fêmeas em todos os aspectos da vida.

     Lugones[10] irá confirmar que o sistema de gênero surge já no período dos avanços do projeto colonial europeu e se consolida na modernidade tardia. A socióloga argentina vai dizer que o sistema de gênero tem seu lado visível quando organiza apenas as relações entre homens e mulheres brancas e burguesas, momento em que imprime a forma entre homens e mulheres, definindo papel no controle do acesso sexual, no trabalho e na autoridade. Assim, as mulheres foram categorizadas dentro do sistema patriarcal eurocêntricos e cumprem papéis definidos dentro das hierarquias política e social:

La pureza y la pasividad sexual son características cruciales de las hembras burguesas blancas quienes son reproductoras de la clase y la posición racial y colonial de los hombres blancos burgueses. Pero tan importante como su función reproductora de la propiedad y la raza es que las mujeres burguesas blancas son sean excluidas de la esfera de la autoridad colectiva, de la producción del conocimiento, y de casi toda posibilidad de control sobre los medios de producción. La supuesta y socialmente construida debilidad de sus cuerpos y de sus mentes cumple un papel importante en la reducción y reclusión de las mujeres burguesas blancas con respecto a la mayoría de los dominios de la vida; de la existencia humana.[11]

       Lugones[12] afirma ainda que para as mulheres a colonização foi um processo dual de inferioridade racial e subordinação de gênero imposto pelo estado colonial patriarcal. Diante destas condições, os anos 70, do século XX, tornou-se palco de luta contra as regras, estereótipos, as características de imposição de restrições do direito ao desejo. Assim, descreve o que chama de lado oculto do sistema de gênero que relaciona às mulheres negras, indígenas e as pessoas do terceiro gênero que foram totalmente excluídas de qualquer processo de decisão ou mesmo de conspiração como seres humanos. Foram reduzidos à animalidade, ao sexo forçado com os colonizadores brancos e a exploração do trabalho profunda, que muitas vezes as levavam à morte.

      A pesquisadora, nesse sentido, questiona sobre a forma como se tem conduzido a busca pelo espaço de luta feminino quando acontece de forma generalizada, sem observar as particularidades sobre as etnias ou espaço de fala de cada mulher. No entanto, defende o movimento feminista que possibilitou um palco para discutir questões específicas de mulheres em sua condição de subserviência ao mundo patriarcal. Já Oyewúmi[13], do seu lugar de fala, entende que o gênero foi definido pelo Ocidente como uma ferramenta de dominação designada em duas categorias sociais. Ao associar anatomia ao gênero determina-se hierarquias de dominação, tais exclusões não era uma condição homogênea nas sociedades antes da introdução das colônias ocidentais.

        Lugones[14] vê que a questão central que perpassa o discurso do gênero é afirmar a categoria de mulher colonizada como uma visão de categoria vazia. A mulher no processo de colonização e na colonialidade estabelecida não entra no conceito de humano, pois a todo momento é colocada como um instrumento de uso pelo colonizador, pelo patriarcado e pela própria constituição da religiosidade cristã que se implantou em toda a América Latina. Assim, irá afirmar que a hierarquia dicotômica central da modernidade colonial é a questão entre o humano e o não ser humano.

     Nesse sentido, a discussão pode ser tomada no aspecto de como foi constituída a mulher na América Latina vivendo este estado de colonialidade como não humana e de objetificação. Duas situações importantes para analisar a mulher neste contexto que auxiliará na classificação que Lugones[15] fará sobre a colonialidade do gênero quando se percebe o sistema de opressão de gênero racializado no sistema capitalista.

        O lugar de fala de Maria Mariana é uma periferia da já periférica América Latina. Mesmo sendo heterossexual, branca e pertencente a classe dominante do lugar, há nela duas marcas que a imprime como subserviência dentro do sistema patriarcal moderno colonial.  É mulher e vive na periferia do mundo moderno colonial. Neste sentido é importante entender a profundidade e a força da violência na produção tanto do lado obscuro e oculto como o lado visível do padrão de gênero moderno/colonial.  Lugones afirma que a construção de um espectro feminino passa a ser duramente perverso, violento, degradante quando convertem mulheres brancas em reprodutoras da raça e da classe burguesa, enquanto as demais mulheres de outras raças, indígenas e negras são compreendidas como animais.  Será exatamente esta opressão do gênero racializado capitalista do mundo moderno colonial patriarcal que a pensadora irá definir como colonialidade de gênero.

        O trajeto de vida da personagem Maria Mariana em interação com outros a coloca na condição de mulher independente. Ao posicionar-se livre em suas escolhas de vida afetiva, a protagonista é punida de forma perversa como manda os preceitos da religião mantenedora (cristã) do colonialismo eurocêntrico, cujos desígnios são de subserviência ao obscurantismo e à castidade reservadas à fêmea burguesa branca. Há no corpo de Maria Mariana um desejo de negação do modelo de mulher definida pelo padrão colonial patriarcal de poder, uma possibilidade de vencer este estado e pensar a questão como uma possibilidade da existência e re-existência à condição de opressão.

      Nesse sentido Tempos infinitos, cujo o título remete às infindas narrações do indígena (o piá) que faz para sua patroa em momento de intimidade, é um romance que denuncia de forma implícita, o gênero como elemento estrutural da colonialidade, a expressão moderna colonial do poder patriarcal. Confirmando o pensamento de Maldonado-Torres[16] quando afirma que a expressão político-criativa em si não define uma postura decolonial em relação a atuação do sujeito em seu lugar de vivência. Além da necessária consciência do espaço geopolítico que ocupa, exige-se também, desse agente de mudança, que através do pensamento e criatividade se proponha buscar descontruir saberes eurocentristas estabelecidos, importante, assim, evitar a tentação ou cuidar de que, muitas vezes, em atitude de alienação, fazer atividades do pensamento e da criatividade zonas de refúgio da colonialidade.

 

Bibliografia

 

LUGONES, Maria. Colonialidade e Gênero. Tabula Rasa. Bogotá - Colombia, No.9: 73-101, julio-diciembre 2008 Acessado em: 19 de outubro de 2020. http://www.scielo.org.co/pdf/tara/n9/n9a06.pdf

LUGONES, Maria. Colonialidade e gênero. In: Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais/ organização e apresentação Heloísa Buarque de Holanda: autores Adriana Varejão...[et.al.]- 1ª ed. –Rio de Janeiro: Bazar do tempo, 2020.

KILOMBA, Grada. Memórias da Plantação- episódios de racismo cotidiano. Trad. Jess Oliveira1 ed. Rio de Jnaeiro: Cobogó, 2019

MALDONADO-TORRES, Nelson. Analítica da colonialidade e da decolonialidade: algumas dimensões básicas. In Decolonialidade e pensamento afrodiaspórico -org. Joaze Bernadino-Costa, Nelson-Maldonado-Torres, Ramon Grosfoguel- 2ª ed.- Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2019.

OYÈWUMÍ, Ouèrónké. Conceituando o gênero: os fundamentos eurocêntricos dos conceitos feministas e o desafio das epistemologias africanas. In: Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais/ organização e apresentação Heloísa Buarque de Holanda: autores Adriana Varejão...[et.al.]- 1ª ed. –Rio de Janeiro: Bazar do tempo,2020.

QUIJANO, Anibal. Textos de fundación. compilado por Zulma Palermoy; Pablo Quitero. 1ª ed.- Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Del Signo,2014.

RIBEIRO,Djamila. Quem tem medo do feminismo negro?- 1ª.ed.- São Paulo: Companhia das Letras, 2018.



[1] Maria de Nazaré Cavalcante de Sousa é doutora em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC.

[2] Lugones, 2020.

[3] Maldonado Torres, p.40

[4] Jacob,1999

[5] Jacob, 1999, p.40

[6] Quijano, 2014.

[7] Quijano, 2014

[8] Lugones, 2020.

[9] Oyewumi, 2019.

[10] Lugones,2020

[11] Lugones, 2020

[12] Lugones, 2020

[13] Oyewúmi, 2019

[14] Lugone, 2020.

[15] Lugones, 2020.

[16]Maldonado-Torres, 2019