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quarta-feira, 9 de julho de 2014

ESCREVER FITAS

Jefferson Bessa


escrever como quem lança
folhas letras sorrisos ao ar.
quando surgem estas fitas
todas as palavras dançam

entram em festa de linhas
pois recebem teus olhares
passantes de ver sem fim
lendo chega perto de mim

mas não tenha obrigações
é triste ter de carregar fitas
arrastar para depois soltar
ficar para depois reclamar

em saltos para fora da folha
inicia-se no solto das mãos.
como quem lança serpentina
sentindo que mãos se lançam

desçam fitas que se escrevem
fitando por ir do céu ao chão.
ler fitas caindo e caio em ti
para juntos ascendermos

por entre teus dedos e mãos
teus braços, versos e fitas
se arremessar bem no meio
assim caímos bem entre nós 


*Poema retirado da página do poeta, aqui.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

HORA DA POESIA

Jefferson Bessa


a Hora da poesia
segue a festa de rua.
cada verso cai
entre cabeças e pernas
de quem vem dançar.
do céu o verso cai
desenrola e se embola
em fitas de escrita
desce feito serpentina.

a poesia da rua anda
o poema segue e desce
na Hora de ser festa:
é rua e todo mundo
alegria de durar muito.
para além da semana
para quem assim quiser
a festa que acorda
pode agora sempre


> Visite aqui o espaço do poeta Jefferson Bessa.

terça-feira, 4 de março de 2014

EU RIO O RIO

Jefferson Bessa


quando se diz eu rio
se abre no rir do rio,
lento na curva se vai
formas se encostam

na sua certa errância
o verbo assim existe
quando não se antepõe
ao eu somente pessoal

quando o rio se alarga
passa calmo sem voltar
se abre rio nos lábios
o eu rio vai com o rio

à beira do verbo o som
de água na boca se faz
se desfaz o que estranha
escorre em língua de rio

não tem jeito, quem diz
eu rio não se diz de si
diz no rio e nele os lábios
passam pelo rio rindo


sábado, 1 de fevereiro de 2014

A PALAVRA DO POETA

Jefferson Bessa


"onde estão teus versos, poeta?
me lembro de teus alexandrinos
de teus ritmos, de tuas palavras!
recite um para ouvirmos
canta ao menos um
canta aqueles versos livres,
aqueles altos, dançantes.
pode ser áspero, pode ser úmido
canta, poeta!
onde estão teus versos?"

"meus versos silenciaram
não tenho mais alexandrinos
não tenho mais versos livres
o que escrevo é o silêncio.
as coisas precisam dormir.
não sei cantar, apenas sei falar
mas as palavras nada dizem
vou seguir meu caminho
já usei muitas palavras, preciso ir
outros virão, outros chegarão"

"canta, então, teu silêncio
o silêncio de teus versos acordará a rua 
com o contentamento de ouvir.
nesta rua não temos mais os sinos
ensurdecemos para badalos pesados
nunca mais os ouvimos, pois sempre 
nos levam a lembrar, a lembrar
a lembrar de tudo que nunca fizemos.
canta, agora, para esta rua.
sem palavras tu não és poeta
serás aquele homem que há pouco passou.
lá foi ele, seguindo cabisbaixo e rouco, 
pensativo e mudo.
canta, então, teu silêncio!"

"não, meu amigo, onde a poesia está
o silêncio não pode estar.
o que não diz não é poema
e eu tão cansado de palavras 
me deixei silenciar"

"mas tu não podes esquecer
quando te ouvimos, as palavras cantam
o cansaço provém da tua desconfiança.
canta, homem, diga um verso
e verás que o que se diz se levantará. 
canta! todos os ouvidos,
toda a rua se levantará contente.
que seja um verso de tristeza!
canta, verás que todos se levantam
todos se levantarão como um só
ou com muitos sós.
tua palavra bem queima, bem molha.
a quem deste a tua audição? 
de quem ouviste este engano?
se deixou ouvir alguém sem ouvidos?
o silêncio não vive para ti
vive para alguém como aquele homem
frio e arrogante de palavras
mas tu és poeta
não podes esquecer:
quando na palavra o mundo chega
com simplicidade sabes levantar
pois com o vento estás.
mas tu és poeta
não podes esquecer:
quando tu escreves,
tudo dança"


Acesse aqui a página do ilustre poeta Jefferson Bessa:
leia aqui o livro ‘Nos úmidos planos das mãos’:
http://issuu.com/jedu2/docs/bessa__jefferson_-_nos___midos_plan