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terça-feira, 12 de agosto de 2014

GOVERNADOR RUY LINO – Um acreano da boa cepa

Regina Amélia D’Alencar Lino


Se vivo fosse, dia 13 de agosto José Ruy da Silveira Lino estaria completando 90 anos de idade.

Nascido no município acreano de Tarauacá, em 1924, Ruy Lino desfrutara  a aurora de sua vida nas brincadeiras infantis, nas peraltices naturais, divididas frequentemente com o amiguinho Geraldo Brasil, curiosamente nascido no mesmo mês, porém em data inversamente grafado à sua (dia 31) e residente na mesma rua, no número 132, defronte sua residência, de número 231. Ao final da primeira infância querida Ruy Lino seguira para Manaus, a fim de iniciar seus primeiros estudos no Colégio Dom Bosco da capital amazonense.

Sentindo despertar a vocação para o trato com a natureza vegetal e grande atração para lidar com a terra, Ruy Lino optara por fazer estudos da agricultura, escolhendo a Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, para desenvolver seu projeto, passando, também, a ter militância na política estudantil, com participação ativa na União Nacional dos Estudantes (UNE).

Concluídos os estudos de nível superior e já ingresso no quadro de funcionários do Ministério da Agricultura, Ruy Lino retornara ao Acre, no início da década de 1950, sendo lotado no setor de Fomento Agrícola Federal, divisão representativa daquele ministério.

Tratava-se de órgão responsável pela gestão das políticas públicas de estímulo à agropecuária, pelo fomento do agronegócio e pela regulação e normatização de serviços vinculados à agricultura. Aos vinte e seis anos de idade Ruy Lino já desempenhava atribuições de relevadas responsabilidades, no âmbito federal.

O que Ruy Lino queria, inicialmente, era a carreira agronômica, seu desejo íntimo... continuar engenheiro agrônomo.

Servir o Acre na república, para Ruy Lino significava voltar à agronomia, ser engenheiro do Ministério da Agricultura, cuidar de sua própria terra e de seus conterrâneos – tudo o que ele mais almejava.

Ruy Lino atendera, enfim, à “paixão humana”, o interesse vivo, palpitante, absorvente, no destino e na condição alheia, sobretudo dos pobres e sem suficientes defensores – o que se poderia dizer dos funcionários do Território do Acre, que recebiam, com contínuos atrasos, iníquas remunerações, como “extranumerários”. A eles passara a dedicar toda a vida, através da política, ajudar a sua terra, prestar ombros à sua época.

Constituindo família aos 27 anos de idade, com os filhos Regina, Beth, Ruy e Ovídio, Ruy Lino tivera na sua esposa zelosa, admirável e encantadora Niní, a primazia da mulher amada, sustentáculo sólido e  ideal para o desenvolvimento de todos os seus sonhos e projetos – idealistas e  racionalistas.

Lançara-se, então, à atividade política, sem prejudicar o tempo empregado à responsabilidade funcional dedicada à burocracia de sua repartição, vindo a filiar-se ao Partido Trabalhista Brasileiro – PTB, em cujo programa destacavam-se algumas reformas sociais, tais como a urbana, a agrária e a da educação.

Assumindo de corpo e alma as lides petebistas no Acre, Ruy Lino não medira esforços para denunciar e opor-se, de viva voz, às ocasionais irregularidades administrativas  que ocorriam  no Território. De salientar um incidente ocorrido com seu sogro, chamado ao gabinete do governador para ouvir, do próprio mandatário na época, a ameaça de espancamento ao seu genro, em praça pública, caso continuasse a levar a efeito os discursos denunciatórios. Sentindo-se profundamente ferido com as palavras ameaçadoras, e super injuriado, o sogro do jovem político, sem nada contestar, retirara-se à sua residência e, de revólver em punho, retornara ao palácio para pôr termo à ameaça sofrida, o que, naturalmente não viera a ocorrer, graças e intervenção de amigos íntimos, ligados a ambos. No dia seguinte, lá estava, em praça pública, Ruy Lino a denunciar, inflamado, de megafone em mão, o insensato destempero do governador e suas irregularidades.

Poucos anos depois, mais precisamente em 1961, estando o PTB na presidência da República, Ruy Lino fora nomeado governador do Território do Acre. Por essa época, encontrava-se aguardando a sanção do presidente, a Lei que elevaria o Acre à categoria de Estado, cujo projeto já tramitava há quatro anos – no período de governo do PSD. Surgira a chance daquele acreano minorar o sofrimento de seu povo – seu anseio.

Porém, faz-se mister algumas gotas de reflexão, no tocante às correntes políticas acreanas, na época, e a emancipação do Território à categoria de Estado. Sendo o PTB oposicionista, seria razoável o presidente Jango postergar a esperada sanção da lei acreana.

A União Democrática Nacional – UDN, na realidade, apresentara contestação, porém em termos.

Referira-se aos elementos sociais, aos grupos políticos, aos elementos administrativos e aos inexpressivos elementos econômicos. Parodiando a filosofia antiga, para alguns, Acre não possuía  terra, ar, água e fogo, isto é, para tornar-se estado, o Território seria desprovido das substâncias consideradas como força da natureza estatal.

Talvez não por ironia do destino, mas propositadamente, a citada Lei, sob o nº 4.070, fora assinada oito meses após a posse de Ruy Lino que, conforme verifica-se  em sua larga   entrevista ao Correio da  Manhã, do Rio de Janeiro, também ele apoiava a referida emancipação, categoricamente.
Durante o período que passara à frente do governo do Território do Acre, Ruy Lino, ao persuadir o presidente João Goulart, concretizara o anseio de todo o funcionalismo acreano, efetivando-os no Quadro Permanente, vinculado ao Ministério da Justiça e Negócios Interiores, medida que visara tanto o desenvolvimento da unidade federativa, como o bem-estar social.

Quanto à transformação do Acre em Estado a própria contestação da União Democrática Nacional – UDN, elaborada pelo competente advogado Aluízio Macedo Maia, não apenas sugerira, como ratificara o fato de todos os acreanos serem autonomistas.

De fato, as respectivas ilustrações a que se tem acesso, fornecem comprovação que sugere buscas de entendimentos, entre os políticos, pois afinal todos  são acreanos.

Na certeza de que Jango sancionaria a Lei acreana, Ruy Lino pedira exoneração onze dias antes, desincompatibilizando-se do cargo de governador, para candidatar-se a deputado federal pelo Estado do Acre.

Eleito para sucessivas legislaturas com significativas margens de votação, Ruy Lino sempre procurou honrar e corresponder os sufrágios que seus conterrâneos depositavam nas urnas.

Há mais de meio século, até mesmo muitos adversários, ainda hoje, reconhecem a eficácia do esforçado feito do Deputado Ruy Lino, no que concerne ao Enquadramento de milhares de servidores.  E compreendem também que foi como político ou parlamentar que ele se imortalizou na história da política acreana, registrando-se, ainda, que Ruy Lino foi o primeiro, último e único acreano nomeado Governador do Território do Acre – Delegado da União.

Ruy Lino fora, enfim, um gigante em bondade, grandeza de atitudes, solidariedade, amizade, lealdade, convicções, exemplo de boas lutas e desprendimento.
A foto acima registra o principal escalão do último governo do então Território do Acre. Sentados, da esquerda para a direita: Alfredo Sanches Mubárac, governador José Ruy da Silveira Lino e Dr. José Tomaz Nabuco de Oliveira. Em pé, na mesma ordem: Dr. Pojucan Ribeiro, Abrahin Isper Jr, Prof. Geraldo Gurgel de Mesquita (Secretário Geral), Milton Matos Rocha, Cap. Manuel Ramos e Dr. Garibaldi Carneiro Brasil.


*Regina Amélia D’Alencar Lino é socióloga, e filha de Ruy Lino. Ex-vereadora, ex-deputada federal, e ex-vice-prefeita de Rio Branco – AC.

sábado, 14 de dezembro de 2013

A voz de CHICO – O MENDES

Regina Amélia D’Alencar Lino


Em uma casinha coberta de palha de paxiúba e assoalho de madeira bem limpinho, numa madrugada de muita chuva,  mês de fortes temporais, ecoou um choro de vida pela densa floresta amazônica, quando dona Iraci Lopes Mendes, juntou toda a energia que lhe restava para dar à luz  Francisco Alves Mendes Filho, o Chico Mendes. Era 15 de dezembro de 1944, no Seringal Porto Rico, na Colocação Bom Futuro, no pequeno município de Xapuri, localizado no meu amado Acre.

Quando a notícia de seu nascimento se espalhou entre os raros e distantes vizinhos, ouvira-se os comentários: "É menino homem, nasceu cabeçudo e zoiudo, coisa de gente inteligente."

Chico cresceu e se criou como todas as crianças dos seringais acreanos. Arrastava-se pelas tábuas lisas de sua casa na fase de engatinhamento, marcara seus pézinhos na poeira do quintal varrido pelos galhos da palmeira do açaizeiro; mamava nos seios de sua mãe; comia bolinho  "capitão" feito de arroz, feijão e farinha, amassados com as mãos; pulava de galho em galho nos pés de manga, graviola, se fartando de seus frutos, além de biribá, genipapo e banana. Entretia-se com os irmãos construindo os brinquedos com sucatas, bichinhos e bola de látex; banhava-se nos rios e igarapés; subia no pau de sebo; apreciava o deslizar das cobras; a caça da capivara que lhe servia de alimento; a pesca do mandim; o sabor da macaxeira bem quentinha derretendo em sua boca, da tapioca, do cuscuz e do açaí.

Com tudo isso,  a vida no seringal era muito dura, e por essa razão, desde a mais tenra idade, Chico começara a trabalhar e aprendera com seu pai Francisco Alves Mendes, o ofício de seringueiro. Dessa forma, amar e respeitar a floresta, fonte de sobrevivência para sua família, fora uma das primeiras lições apreendidas por Chico  criança. Assim, enquanto dona Iraci, sua mãe, ocupava-se dos cuidados domésticos e da criação dos filhos menores, ele saia cedinho, de madrugada, calçando os sapatos de seringa, com seu genitor, para colher o látex das seringueiras nativas, as castanhas do Pará, fonte de proteína, produzida por uma das mais majestosas árvores  que existem, a castanheira, e tudo mais que a floresta lhes ofertava.

Nos seringais, lugares longínquos, raramente havia uma escola e por essa razão, Chico Mendes aprendera a ler  por volta dos 19 e 20 anos, lições ensinadas por Euclides Távora, um comunista cearense que participara do levante comunista de 1935 e da Revolução de 1952 na Bolívia. Ao retornar para o Brasil, Euclides decidiu fixar residência em Xapuri, por ser próxima à fronteira boliviana, e, ao conhecer Chico se propôs  alfabetizá-lo.

O conhecimento das letras, lhe dera a oportunidade de compreender melhor o universo em que vivia, ampliando-o de tal forma, que ao conhecer novas realidades, fez corretamente a leitura de códigos antes indecifráveis, tornando-se além de seringueiro, sindicalista, ativista ambiental, vereador em Xapuri pelo MDB, e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores em seu município.

Chico poderia ter tido outro destino, se, em seu DNA, não carregasse características que normalmente marcam a personalidade dos líderes: consciência, indignação, compromisso e coragem para lutar e se opor a exploração e manipulação da classe dominante, e se Euclides Távora não aparecesse em sua vida. Com carinho afirma Ilzamar: "Euclides foi enviado por Deus. Sintonizava Chico com o mundo, quando ligava o radinho de pilha na BBC de Londres e lhe mostrava os recortes de jornais que carregava em uma pasta aonde falava da ditadura, dos refugiados e com ele questionava como seria a vida daquele momento para frente".

Quando Chico e seu  José Moacir Bezerra, pai de Ilzamar, toda boquinha da noite sentavam para conversar, concluíam que precisavam dar um basta e mudar radicalmente a relação de trabalho que existia entre  o patrão e o seringueiro, pois dentre as barbaridades cometidas, o pai de Ilzamar relatava, por exemplo, que era chicoteado pelos jagunços de seu patrão, quando o contrariava.

Chico ao comandar os "empates" - uma corrente pacífica que os seringueiros faziam com seus corpos, com o objetivo de proteger as árvores da floresta, que estavam sendo dizimadas, provocara a ira de fazendeiros que queriam derrubá-las para transformar a área em pastos para gado e explorá-la a qualquer custo, de maneira predatória, sem considerar os prejuízos que causaria as gerações futuras.  Chico passou a denunciar esses fatos e a contrariar interesses que os levaram a morte.

Quando Chico Mendes foi assassinado, em 22 de dezembro de 1988, o mundo todo ficara estarrecido, perplexo – mesmo tendo sido sua morte por ele  anunciada – pois seu ativismo havia tomado fôlego internacional.

Chico deixou lições e saudades. Algumas do mito, outras, reais e  mais íntimas do homem simples, generoso, sensível, capaz de lutar por uma causa até as últimas consequências.

Um dia, viajando de Brasília para Rio Branco, sentei-me ao lado de sua viúva, Ilzamar Mendes, que à época ainda residia em Xapuri e expressava grande preocupação em relação ao trauma vivido pela família, especialmente por Elenira, sua filha e de Chico por ter presenciado o assassinato do pai.

Contou-me que no dia da morte de seu marido, Chico amorosamente havia sentado no chão da casa – um hábito comum das pessoas que vivem nos seringais e em casas de madeira na Amazônia, em razão do forte calor que faz, para refrescarem-se – com ela e as crianças – Elenira e Sandino –, e como Elenira era maiorzinha, tinha 4 aninhos, disse-lhe as seguintes palavras: "se papai  morrer, quero que você seja valente e corajosa e, quando crescer, estude Direito e defenda os pobres".

Após abraçá-los,  colocou Sandino no colo para tomar banho lá fora, mas Ilza não permitiu que o filho fosse com o pai porque estava muito gripado e lembrou-lhe que havia um balde cheio de água na cozinha para ele tomar banho e não ter que sair também para fora da casa. Ao entregar Sandino nos braços de sua mulher, com a toalha nova jogada nas costas dirigiu-se ao banheiro e foi covardemente alvejado. Quando Ilza e as crianças correram para socorrê-lo,  Chico veio na direção deles cambaleando, momento em que a fumaça de polvóra os cobriu. Ele pedia socorro. Os quatro caíram no chão e sua cabeça no colo de Ilza. Suas últimas palavras foram: a Elenira...

A vida da família de Chico virou de cabeça para baixo. De repente, filhos, inclusive Ângela, a filha mais velha de seu primeiro casamento, e mulher foram subtraídos da maneira mais violenta de sua convivência, deixaram de ouvir seus conselhos, perderam a referência da autoridade paterna, perderam sua proteção, passaram a receber alimentos de amigos para aplainar a fome, sentiram-se fragilizados e amedrontados por toda a repercussão de sua morte.

Na terça-feira, 10 de dezembro, na Comissão de Educação, Cultura e Esporte da Câmara dos Deputados, a deputada Janete Capiberibe PSB-AP, apresentou o PLC 95/2013, projeto que declara Chico Mendes Patrono do Meio Ambiente no Brasil. Segundo a parlamentar, a justa homenagem se dá pela luta de Chico pela preservação da Amazônia e em defesa dos povos da floresta. Após 25 anos de  seu assassinato, os ideais de Chico colocaram na pauta dos governos do mundo a ideia do desenvolvimento sustentável e provocam consciências e instituições, a repensar, sempre, suas relações com a natureza e o meio ambiente.

O choro forte que das entranhas de D. Iraci, uma mulher simples e cabocla, ecoou pela floresta naquele 15 de dezembro, transformou-se em canto, que ao tentarem emudecer, espalhalhou-se por todo o planeta,  tornando-se mais forte.

Ouçam!!! O canto das águas, o canto dos ventos, o canto dos pássaros, do balançar das árvores, é a voz de Chico embalando as florestas.


                                               Regina Lino
                                               dezembro/2013


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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

FRUTO DA PITANGUEIRA



Regina Amélia D’Alencar Lino é socióloga e escritora acreana, natural de Rio Branco. Foi também vereadora e deputada federal, e vice-prefeita de Rio Branco – AC.

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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

FASTÍGIO E GRAÇA ACREANA

Regina Amélia D’Alencar Lino


Passei esses últimos dias em Rio Branco-AC, a minha “Paris”. Essa paixão que sinto pelo meu pedaço preferido na terra sempre foi intensa, especialmente, desde que dele me separei quando tinha apenas dez anos e vim com toda família morar em Brasília, em razão de meu pai, Ruy Lino, ter sido eleito deputado federal.

Após alguns anos, retornei por um longo período para residir no meu estado e pude mais uma vez comprovar que o meu amor é intenso e verdadeiro. É impressionante como me sinto útil e feliz quando por lá estou, mesmo diante do intenso calor, que é compensado pelo calor humano.

O Acre tem um “it” que encanta a todos: os que nos visitam e nos faz sentir orgulhosos de sermos acreanos de “pés rachados”. Para começar, apesar de todos nossos defeitos somos extremamente afetuosos entre nós, com os de fora, e amamos estar juntos. Somos feito “bicho de ruma”. Não é à toa que os acreanos em qualquer parte do mundo se reúnem, sentem o cheiro um do outro e formam logo sua “colônia”. Simplicidade e espontaneidade definem nossa maneira de ser.

Quando sabemos que alguém vai viajar de Rio Branco para qualquer lugar, rapidamente preparamos nossas encomendas para serem levadas aos parentes que estão fora, sem nos preocuparmos com o excesso de bagagem e o transtorno que podemos causar ao nosso amigo passageiro. E na bagagem sempre tem muitos, mas muitos quilos da farinha de Cruzeiro do Sul, - município do Acre -, considerada a mais saborosa do Brasil, além de tucupi para fazer o pato e o tacacá, açaí fresquinho, tambaqui, bombons de cupuaçu, biscoito de castanha do Pará, banana comprida, conforme o gosto de quem vai receber as iguarias. E, se o passageiro se esquivar da missão, coitado dele, está frito. Também tem outra coisa: acreano que sai do Acre para se hospedar na casa de um distinto acreano, tem que presentear a família com pelo menos dois quilinhos de farinha da boa, se não quiser ficar malvisto. Ao ser recebido no aeroporto ou na rodoviária, após a pergunta sobre as condições da viagem, vem logo a indagação: “trouxe farinha?”. E não traga não, prá ver a cara que faz o seu anfitrião (ã).

Têm ainda maneiras deliciosas de dialogarmos, fofocarmos, que igualmente fazem parte do nosso cotidiano e que só os genuinamente acreanos utilizam, como algumas expressões de forte apelo popular  tais como:

- “Mana”, “mano”, “maninha”, “maninho” - ao nos dirigimos carinhosamente ao nosso interlocutor -,“se eu te contar o que aconteceu agora comigo”!

E após ouvir detalhadamente a história, o interlocutor (a) espantado (a) reage:

- Putitanga – não é possível -, eu não acredito que isso pôde ter acontecido contigo!

E vamos além:

- Seu menino, o senhor sabe prá que rumo fica o Seringal Oco do Mundo?

- Ixê, fica lá onde o cão perdeu as botas e o vento faz a curva.

- Pucareba -  (caramba)! Então, é longe prá cachorro.

Ou ainda:

- “Ô Tonho, tu num tá vendo que o menino tá cansado”?

- Tô, sim.

- Então, deixa de ruindade e carrega o menino no TUMTUM - (nas costas).

E lá vamos nós:

- Mãe, hoje eu vi o Chico lá na frente do mercado.

- E ele tá bem?

- Tava lá com aquela cara de abestado - (de bobo).

- Oiô  - (presta atenção, veja).

- O que foi?

- Epâ! Não faz isso com a bichinha ou com o bichinho  - (não maltrata a criança).

- E o aniversário foi bom?

- Foi mesmo! Comida e bebida no balde – (à vontade).

- Olha como essa menina tá magra! Parece uma “suvela” - ( sovela - prego fininho).

- Arre égua !- ( só faltava essa)!

- Tô pebado - ( lascado)!

Arredjanga -  (puxa vida)!

Mas, ainda tem aquelas mais espontâneas.

Quando Nabor Júnior era governador do Acre, eu participava de uma reunião do PRONAV – Programa Nacional de Voluntariado - coordenada por D. Darci, esposa dele, quando fomos surpreendidas pelas engraçadíssimas irmãs Neca e Cocota, que morando em Rio Branco, voluntariamente, ajudavam as pessoas que vinham do município de Feijó, a terra delas, para fazer tratamento na capital, por falta de recursos médicos no interior.

Naquela época, houve um surto de hepatite no município e o governo começou a transportar os portadores da doença para Rio Branco, com o objetivo de assisti-los melhor.

Durante a semana, as irmãs tinham ido ao aeroporto diversas vezes, solidariamente, para receber os doentes e ajudar encaminhá-los ou levá-los para o hospital designado para atendê-los. Devido ao grande número de pacientes e o preocupante estado de saúde deles, as irmãs, desesperadas para socorrê-los, foram nos procurar e interromperam a reunião, quando Neca, ofegante, saiu com essa pérola (?): “acudam, acudam que nós não sabemos mais o que fazer, tem tanta gente doente chegando, que não temos mais prá onde correr. Olhem, nós estamos com “um  dentro e dois na beirada”. (A elegância é por minha conta).

Fecha o pano! Como diria o jornalista Zé Leite: Tão Acre.

Tão amado Acre.

Conforme o escritor carioca Nélson Cunha Mello professor de língua portuguesa:

“A palavra escrita ou falada. Em prosa ou em verso. Em linguagem culta ou coloquial. Em sentido literal ou figurado. A palavra, com toda a sua beleza e versatilidade. Com todo o encantamento e a sedução do seu mágico universo de significados”.


Regina Amélia D’Alencar Lino é socióloga e escritora acreana, natural de Rio Branco. Foi também vereadora e deputada federal, e vice-prefeita de Rio Branco – AC.

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sábado, 29 de junho de 2013

AS MANIFESTAÇÕES - O GRITO DO BRASIL

Regina Lino 


Tá torando!!!

Seria a expressão usada lá na minha terra e em algumas outras para anunciar os acontecimentos no Brasil.

Mais explicitamente: aqui, no meu país, o pau tá torando, para resumir o que está acontecendo nas praças e ruas dos estados brasileiros.

Na verdade, do silêncio, fez-se o grito!!! E do povo entalado até a goela, de Norte a Sul, um só canto, um só eco: é preciso mudar, para melhor, o país.A voz que vem de todos os lados clama por civilidade, respeito e pela verdade e transparência dos atos políticos, que refletem na vida de cada cidadão. Apela, especialmente, pelo direito de falar por si, sem precisar de interlocutores e ser ouvida.

Por isso, e por tantas outras razões, de repente, quando tudo parecia sob o controle dos discursos, do marketing político, bóia, sem subterfúgios, a crescente indignação do povo deixando a classe política perplexa, tonta e desorientada. Em uníssono, desperta a Nação o grito do BASTA da juventude brasileira, para cutucar as mentes cristalizadas, preguiçosas e acomodadas. Essa juventude que também expressa o sentimento dos mais velhos, porque consegue captar em seus lares ou em suas andanças, a insatisfação, o imenso sacrifício e as dificuldades de viver em um país, que apesar de algumas boas mudanças, está muito longe de garantir aos cidadãos comuns os direitos a uma vida  com dignidade humana e justiça social.

Vejamos, por exemplo, que apesar do sistema de cotas, para reparar as injustiças seculares feitas aos negros e aos mais pobres, não é justo, que um número assombroso de jovens fiquem fora das universidades públicas por falta de vagas disponíveis. Afinal, um país que tem compromisso com os seus filhos trata de romper o ciclo que condena uns em detrimento dos outros. Não é justo, um pai ou mãe de família, ir ao mercado e  todas as vezes, ao pagar a conta, ficar impactado com o sucessivo aumento do  custo de vida. Não é justo, incentivar a produção da indústria automobilística, e não ampliar as ruas e a segurança das estradas. Não é justo deixar ao léu que as empresas de telefonia celular cobrem preços exorbitantes de seus clientes, quando esse tipo de comunicação é imprescindível aos dias de hoje. Não é justo assistir a desenfreada violência das cidades e não tomar providências sérias como se fez em relação ao uso de bebida alcoólica no trânsito. Não é justo, assistir e ler os jornais e tomar conhecimento que jovens inocentes são assassinados no Brasil como porcos no matadouro e ao olhar para a fisionomia de seus pais, reconhecer a dor profunda que toma conta de suas almas e a falta de apoio e solidariedade do Estado brasileiro. Não é justo o caos que se instala cotidianamente em relação à mobilidade urbana, que leva todos ao stress e muitas vezes à violência. Não é justo que tantos jovens estejam desempregados. Não é justo que crianças nasçam em vasos sanitários ou corredores de hospitais, sem nenhuma assistência. Não é justo que o Brasil deixe de destinar 10% do PIB para a educação. Não é justo que um país cujo o povo está precisando de tanto, apesar dos altíssimos impostos pagos pelos trabalhadores, ainda se pratique a corrupção.

O Brasil está tratando sérias questões que a todos afligem com profundo desdém e desrespeito e esse grito retumbante que repercute por todo o país significa que o povo brasileiro quer a atenção dos governos federal, estadual e municipal, para que se comece um novo tempo em que a civilidade, a dignidade e o respeito sejam de fato compromissos honrados por nossos governantes.

Para fazer justiça, a voz que me tocou nesse período, de um representante do governo federal, foi de Gilberto Carvalho, ao comparecer ao Senado Federal, no dia 18 de junho/2013: "é preciso ter humildade para entender o motivo das manifestações".

Finalmente, uma voz sensata! 

Brasília, 27/06/2013.


* Regina Amélia D’Alencar Lino é socióloga e escritora acreana, natural de Rio Branco. Foi também vereadora e deputada federal, e vice-prefeita de Rio Branco – AC.

sábado, 25 de maio de 2013

Série HISTÓRIA QUE O ACRE ESCREVEU

SAGA DA FAMÍLIA ALENCAR ARARIPE
Doces Lembranças
 
 
Regina Amélia D’Alencar Lino
Quando criança, ouvia  algumas vezes, no seio de minha família, a história que meu avô Ovídio - a quem eu chamava carinhosamente de Vovoinho -, aos nove anos de idade, após  levar uma surra de seu pai, fugira  de casa. Depois de algum tempo, minha tia Rita  confirmou que a fuga ocorreu na verdade, quando ele estava com aproximadamente 12 anos.

Durante minha infância e adolescência, constantemente, pensava em meu avô como alguém corajoso e decidido. Depois que cresci, inúmeras vezes, perguntei-me por quais motivos uma criança criada em um ambiente intelectualmente promissor, com família tradicionalmente constituída e com segurança econômica, abandonaria a casa de seus pais para lançar-se ao mundo e viver como gente grande, em tão difícil aventura.  Talvez a resposta estivesse  na força de sua personalidade, no tempero de seu DNA refletido em grande parte da família, mais acentuado nas mulheres, o que não chega a ofuscar  o temperamento dos homens.

Consta, nas histórias contadas, que em um navio que fazia a rota entre Fortaleza e o estado do Amazonas , meu vovoinho embarcara como  empregado, desempenhando  todo tipo de serviço, desde a limpeza do porão, convés, banheiros e tudo mais que fosse necessário, que estivesse ao seu alcance.

Quem o protegia naquele lugar? Era a pergunta que me intrigava e, às vezes, por ser ainda tão menina, sentia vontade de chorar ao pensar que o avô que eu tanto amava e que tanto nos protegia, pelo destino, pelas circunstâncias, interrompera precocemente sua infância - a fase melhor da vida de uma criança - para trabalhar.

A sua descendência é originária  dos primeiros Alencar vindos  de Portugal  para a Bahia por volta de 1650-1680, entre eles  Leonel, Alexandre e João Francisco.

Leonel Alencar Rego, patriarca da família Alencar era o bisavô de Barbara de Alencar, heroína republicana,  primeira mulher presa política do Brasil, por participar da Revolução Pernambucana (1817) e da Confederação do Equador (1824).

Bárbara de Alencar nasceu no sertão de Pernambuco, em 11 de fevereiro de 1760, em sua adolescência mudou-se com a família para a vila do Crato, no Ceará.  Ali, casou-se, em 1782,  com o capitão português José Gonçalves dos Santos, comerciante de tecidos, e naquela região do Cariri viveu a maior parte de sua vida.

Bárbara teve três filhos homens e uma filha: Tristão Gonçalves Pereira de Alencar, Carlos José dos Santos, que tornou-se padre, José Martiniano de Alencar e Joaquina Maria.

José Martiniano era o pai do escritor José de Alencar   e Tristão, um de seus irmãos, era  bisavô de meu avô materno, Ovídio de Alencar Araripe.

Informações colhidas do livro “Barbara e a Saga da Heroína” esclarecem que o vocábulo  Araripe  fora  acrescentado ao sobrenome Alencar, por iniciativa de Tristão Gonçalves de Alencar, segundo filho de Bárbara, de quem herdou o espírito político e o temperamento nacionalista revolucionário. Consta, ainda, que Tristão, assim procedera,  por conta da forte admiração que mantinha pela Chapada do Araripe, considerada penhor de fertilidade do Cariri.

Em assim sendo, ressalta-se que todo Alencar, descendente do ramo de Tristão,  é Araripe, donde se concluí que todo Araripe é Alencar, embora nem todo Alencar seja Araripe.

Em 1824, Tristão de Alencar Araripe tornou-se Presidente da Província do Ceará e, por ter participado das lutas pela Confederação do Equador, foi sacrificado, juntamente com um irmão, o padre Carlos José dos Santos Pereira de Alencar por ser solidário ao movimento, assim como outros familiares. A mãe de ambos, Bárbara, escapou do martírio, ao conseguir fugir para Exu, em Pernambuco  e, daí, protegida por seu irmão capitão Luis Pereira de Alencar, retirou-se para Alecrim, no Piauí, onde faleceu aos 72 anos, na Fazenda Touro.

Portanto, Bárbara de Alencar, a heroína, e  José de Alencar, o escritor, são, para nosso orgulho,  parentes próximos de meu avô Ovídio e não tão longe está o parentesco com minha mãe Ovília de Alencar Lino - Nini, casada com José Ruy da Silveira Lino,e consequentemente de mim e de meus irmãos - Beth, Ovídio e Ruy.

 Oriundos da miscigenação de  portugueses,  cearenses e pernambucanos, além do vinculo  indígena/caboclo amazônico, acrescido  pela influência racial  africana  advinda do Maranhão  para o seio  de  minha avó materna, foi no  princípio  da  década de 1940, que meus avôs chegaram  ao Acre. 

Ao tornar-se adulto, meu avô continuava a trabalhar pelos rios amazônicos - Amazonas, Madeira, Negro, Solimões e Purus -, e, num dia de elevado calor, quando o navio ancorou às margens do rio Madeira, no município amazonense  de Borba,  ele   conhecera, em uma pensão simples,  auxiliando  a madrinha a servir  refeições,  aquela que viria a ser a minha vovóinha  Amélia Lins, mais tarde Araripe.


Juntos, ainda no estado do Amazonas, deram início a sua prole, formada pelos  filhos Tarsila – (chamada de Pequenina), Edson (Edinho), Amédio, Ovília (Nini, minha mãe), Domitila (Donita), Alencarina (Lenca), Maria Rita, ficando para nascer em Rio Branco, Maria Amélia (Bebelia), além das filhas falecidas quando crianças Edna (ao vir à luz) e Amelinha  (aos oito meses de idade).

A razão da mudança da família para o Acre prendeu-se ao fato das  notícias que circulavam  a respeito da prosperidade econômica, que o então território federal oferecia. Dessa forma, em viagem em um navio gaiola regional, que durara  aproximadamente quarenta e cinco dias, com muitas crianças e outros parentes, minha avó Amélia desembarcou  em Rio Branco, para junto com meu avô, levar a efeito   uma nova vida que se apresentava, em todos os sentidos, desta vez distantes de suas raízes.

A viagem, ao que se sabe, transcorreu com algumas particularidades, como não podia deixar de ser, entre alegrias, preocupações, que requeriam cuidados a todo instante para que as crianças não caíssem n’água, ou  não sofressem quaisquer outros tipos de acidentes, além dos cuidados com as enfermidades a que eram acometidas, decorrentes das intempéries e ataques de insetos.

Meu avô, ao chegar ao ACRE, começou a trabalhar como comerciante de gêneros alimentícios e estivas em geral. Lembro-me, que em sua loja, a Casa Araripe, vendia-se quase de tudo: açúcar, biscoito, cordas, arroz, feijão, sabão em barra, latas de banha de porco, de manteiga Real, outros enlatados como Viandada, sardinha Coqueiro, azeite, além das pélas de borracha, que eram estocadas no espaçoso quintal da casa, as quais  exalavam  um odor forte e característico, compensado porém, pelo aroma de um pé de jasmim e por um frondoso e carregado pé de serigüela, cujo sabor dos frutos trago, para sempre, guardados na goela.


Pelo comércio e pela residência  dos meus avós passavam os mais diletos amigos: o Parente Amigo, avô do Terri e Romerito Aquino, o Rolinha, seu Waldomiro Moura, o Antão, o Quininho, que morava no quartel da Polícia Militar, mas as refeições eram ofertadas por minha avó, Chico Padeiro, seu Anastácio, seu Firmo, proprietário  do navio João Gonçalves, que fazia a rota Belém, Manaus e Rio Branco, e só dava o ar da graça  quando o rio Acre enchia. O apito de sua chegada, anunciava alegria, novidade, grande movimentação e um fervilhar de negócios .

Além da atividade comercial, meus avós adquiriram por compra uma grande extensão de terra e ali edificaram a Fazenda Araripe, modelo de propriedade, em que se dedicavam à criação de animais, cultivo de muitas frutas, legumes e verduras para consumo próprio, destacando-se à venda do leite das vacas.

Da Fazenda Araripe trago as melhores recordações. As crianças eram o centro das atenções. A organização e o cuidado com a fazenda eram exemplares. O zelo de minha avó Amélia com tudo que se relacionava a propriedade era, já naquela época, de causar admiração.

Além, das comidas saborosíssimas, como o carneiro preparado para o almoço aos domingos, a banana comprida frita na merenda, a tapioca e o pão de milho no café da manhã, além do copo de leite mungido, que éramos "obrigados" a beber  em companhia de meu avô, por volta das  seis horas da manhã nas férias e fins de semana; a galinha caipira no almoço; os banhos de açude; a convivência com os filhos e parentes  dos trabalhadores da fazenda; as noites em que brincávamos de manja sob o mais prateado luar; as fogueiras juninas que pulávamos para nos tornarmos comadres; o espanto com a cobra Sucuri, que moeu e engoliu um bezerro e deixou, à amostra, os chifres do novilho;  a casa da Liquinha, a farofa de ovo da casa da comadre Maria e do compadre Abdias, feita pela Sabá; a pescaria no açude do seu Canuto; a alegria da casa da Missinoca e do Zé Pereira; a amizade da Jusa, a caduquice com Franscisquinho, a presteza de seu Jaime; o Raimundo, o Dan, que subia no pau de sebo; as lendas da Mula sem Cabeça, do Curupira, do Saci Pererê; as longas cavalgadas em família. Tudo que posso chamar de felicidade e  de  fazer inveja aos personagens de Monteiro Lobato.

Os melhores dias eram todos, além daqueles em que nos reuníamos com os primos Lena e Manoel, os amigos, tias Lenca, Rita, Bebelia, Maria José e agregados, para conversar, cozinhar, brincar de barra, esconderijo, adivinhação e pique-pega subindo nas mangueiras.

Minha tia Rita cortava um cipó longo e forte e nos empurrava de um lado para outro do igarapé São Francisco. Era uma farra, quando  éramos Jane e Tarzan; tia Bebelia tocava violão, ensinava-me a fazer biscoitos para ofertarmos ao Papai Noel nas noites de Natal. Quando eu acordava no dia 25 de dezembro contava a todos os detalhes do meu “encontro” com o bom velhinho. Tia Lenca  e  Dr. Adib, médico ginecologista e obstetra, que à época estavam noivos, prometiam levar-me junto para a lua de mel e eu sonhava em lamber as paredes da lua.

No Acre  nossa família cresceu, agregada a tantas outras, que também podem nesse espaço contar suas trajetórias, pois a verdadeira e singular história do Acre foi construída pelo entrelaçamento dessa bela e corajosa  epopéia.

Certo dia, quando morava em São Luis (MA), inspirada no tanka - modelo poético japonês – manifestei meu amor à minha terra:
                                

            Doce Acre,
                As estrelas do teu céu brilhante,
                        E as alegrias que me deste
                              Guardo-as em meu peito
                                   Acalmando saudades.

 

 

* Regina Amélia D’Alencar Lino é socióloga e escritora acreana, natural de Rio Branco. Foi também vereadora e deputada federal, e vice-prefeita de Rio Branco – AC.