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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

RECADO DO VELHO MACHADO...

E amar e ser amado é, neste mundo,
A tarefa melhor da nossa espécie,
Tão cheia de outros que não valem nada.


ASSIS, Machado de. Poesias Completas. Rio de Janeiro: W. M. Jackson Inc. Editores, 1962. p.452 (excerto de o poema O Almada)

quinta-feira, 1 de maio de 2014

OS SEMEADORES

Machado de Assis (1839-1908)

...Eis aí saiu o que semeia a semear...
Mt. 13, 3


Vós os que hoje colheis, por esses campos largos,
O doce fruto e a flor,
Acaso esquecereis os ásperos e amargos 
Tempos do semeador? 

Rude era o chão; agreste e longo aquele dia;
Contudo, esses heróis
Souberam resistir na afanosa porfia 
Aos temporais e aos sóis.

Poucos; mas a vontade os poucos multiplica, 
E a fé, e as orações 
Fizeram transformar a terra pobre em rica 
E os centos em milhões. 

Nem somente o labor, mas o perigo, a fome, 
O frio, a descalcez, 
O morrer cada dia uma morte sem nome, 
O morrê-la, talvez, 

Entre bárbaras mãos, como se fora crime, 
Como se fora réu 
Quem lhe ensinara aquela ação pura e sublime 
De as levantar ao céu! 

Ó Paulos do sertão! Que dia e que batalha! 
Venceste-a; e podeis 
Entre as dobras dormir da secular mortalha;
Vivereis, vivereis!


ASSIS, Machado de. Poesias Completas. Rio de Janeiro: W. M. Jackson Inc. Editores, 1962. p.330-331

sexta-feira, 21 de março de 2014

O DESFECHO

Machado de Assis (1839-1908)


Prometeu sacudiu os braços manietados
E súplice pediu a eterna compaixão,
Ao ver o desfilar dos séculos que vão
Pausadamente, como um dobre de finados.

Mais dez, mais cem, mais mil e mais um bilião,
Uns cingidos de luz, outros ensanguentados...
Súbito, sacudindo as asas de tufão,
Fita-lhe a águia em cima os olhos espantados.

Pela primeira vez a víscera do herói,
Que a imensa ave do céu perpetuamente rói,
Deixou de renascer às raivas que a consomem.

Uma invisível mão as cadeias dilui;
Frio, inerte, ao abismo um corpo morto rui;
Acabara o suplício e acabara o homem. 


ASSIS, Machado de. Poesias Completas. Rio de Janeiro: W. M. Jackson Inc. Editores, 1962. p.365

sábado, 8 de março de 2014

O CORAÇÃO


                                          ...O coração
                                          É como o passarinho
                                          Que deixa sem cessar
                                          A maciez do ninho
                                          Pela amplidão do ar.


(excerto de A um legista)
ASSIS, Machado de. Poesias Completas. Rio de Janeiro: W. M. Jackson Inc. Editores, 1962. p.240
> Fotografia de Tancredo Maia Filho.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

LIVROS E FLORES

Machado de Assis (1839-1908)


Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?
Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor,
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor? 


ASSIS, Machado de. Poesias Completas. Rio de Janeiro: W. M. Jackson Inc. Editores, 1962. p.129