Mostrando postagens com marcador LUÍSA LESSA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador LUÍSA LESSA. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

EDUCAÇÃO NÃO É MERCADORIA

Luísa Karlberg
Linguagem e Cultura


Pesquisa realizada pela Economist Intelligence Unit, um dos sistemas de consultoria mais respeitados do mundo, coloca o Brasil em situação humilhante: penúltimo lugar numa lista de 40 países. A Finlândia e a Coréia do Sul aparecem nos primeiros lugares. O Brasil e a Indonésia em últimos lugares.

Como se isso fosse pouco, o último relatório elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), sobre o índice de desenvolvimento da Educação, feito em 128 países, o Brasil aparece na 88ª posição. Países menos desenvolvidos apresentam uma posição melhor, como Honduras (87ª), Equador (81ª), Bolívia (79ª). Ainda, o Brasil está aquém de nossos vizinhos e parceiros comerciais como Argentina (38ª), Uruguai (39ª) e Chile (51ª). Esses dados demonstram que as políticas pedagógicas que norteiam a educação no Brasil são equivocadas.

Percebe-se, nos últimos anos, um ensino fortemente influenciado pela reestruturação produtiva, pelas inovações tecnológicas, pela nova organização do trabalho, pelo modelo de globalização dos mercados, a exigir novos perfis profissionais. Criou-se, assim, uma educação voltada ao mercado de trabalho, entendida pela lógica do capital, visando contribuir para o projeto político pedagógico da burguesia. A classe trabalhadora foi abandonada.

Educação, no Brasil, é tratada como mercadoria. Tanto isso é verdadeiro que professores brasileiros entram e saem das greves de mãos e bolsos vazios. Nada conseguem dos governantes. Esquecem-se os políticos (ou lembram-se, o que é mais grave) que a educação é a única forma de criar indivíduos pensantes e autônomos, pois ela desenvolve a capacidade de reflexão e julgamento da realidade. Ou seja, a educação desenvolve a capacidade de informação e entendimento para uma análise e avaliação da sociedade em que vivemos.

Ademais, a educação prepara os indivíduos para a não aceitação, a manifestação, o afrontamento e a revolta; ensina-os a romper com as maneiras de ver, sentir e compreender as coisas. Por isso as escolas devem ser sempre consideradas um espaço de exercício da liberdade e da cidadania, pois ali se adquire atitudes, valores, orientações e espírito crítico.

É, assim, a escola, um espaço eminentemente político que deveria fomentar a liberdade individual e coletiva, possibilitando as mudanças sociais necessárias para a felicidade humana. Contudo, em nossa época, a escola reproduz os valores, o imaginário e as condições sociais dominantes do sistema cultural. A educação tornou-se, apenas, o meio pela qual o sistema de domínio social está constituído, como se mantêm e como se perpetua.

Portanto, se há um culpado pela má qualidade do ensino, isso se deve as políticas públicas de educação implantadas nos governos neoliberais que tira de si essa responsabilidade e a debita aos brasileiros. Cada família cuide dos seus filhos. Cada pessoa torna-se responsável por sua educação formal.

A chamada era da globalização e o desenvolvimento do Estado Neoliberal, grosso modo, diminuíram o papel do estado na economia e reduziram o investimento e alcance das políticas públicas. A partir de então o trabalhador se viu inserido em um novo mundo, onde teve que enfrentar o desemprego estrutural, o subemprego, o baixo nível das condições de ensino, a exigência de muitas qualificações e a grande concorrência do mercado de trabalho.

Nesse contexto, cada trabalhador depende de si mesmo para se educar, para conhecer as novas tecnologias, atualizar-se e acompanhar as mudanças do mundo globalizado. Hoje, tornou-se difícil manter-se empregado quando o mundo está em constante transformação. A responsabilidade pela formação profissional e cultural não compete mais ao Estado, mas aos próprios indivíduos. As exigências são muitas e demandam um profissional que invista nele mesmo, pois o mundo globalizado espera que os indivíduos se esforcem e adquiram múltiplas competências, sejam multifuncionais, criativos e comprometidos com as exigências do mercado capitalista.

Finaliza-se a reflexão dizendo que as experiências têm demonstrado que os países que conseguiram resolver as desigualdades educacionais também conseguiram resolver as desigualdades sociais e tornaram-se mais democráticos. A educação produz autonomia de pensamento e, em consequência disso, produz a opinião, o livre julgamento e a participação política, que são os fundamentos da democracia. Vamos avançar, Brasil! Um caminho? Mudar a direção política, votar em pessoas preparadas para a transformação desse cenário caótico. É urgente que em 2016 façamos melhores escolhas. O Brasil transformou-se num mau exemplo ao mundo moderno.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

CLARICE LISPECTOR

ACADEMIA ACREANA DE LETRAS
CHÁ DAS LETRAS – setembro 2015

Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho.[...]
O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós.
Clarice Lispector
Por
Luísa Karlberg
1 – Clarice: vida e obra

Premiada escritora e jornalista nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira — e declarava, quanto à sua brasilidade, ser pernambucana — autora de romances, contos e ensaios e considerada uma das escritoras brasileiras mais importantes do século XX. Sua obra está repleta de cenas cotidianas simples e tramas psicológicas, sendo considerada uma de suas principais características a epifania de personagens comuns em momentos do cotidiano.

Nasceu em uma família judaica da Rússia que perdeu sua renda com a Guerra Civil Russa e se viu obrigada a emigrar do país em decorrência da perseguição a judeus que estava sendo pregada então, resultando em diversos extermínios em massa. Chegou ao Brasil por volta dos dois anos de idade na cidade de Maceió, onde passou um breve período até a família mudar-se para o Recife, cidade onde cresceu e em que perdeu a mãe, e depois para o Rio de Janeiro, onde sua família estabilizou-se e seu pai morreu.

Estudou direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro, então conhecida como Universidade do Brasil, apesar de na época ter demonstrado mais interesse ao meio literário, no qual ingressou precocemente como tradutora e logo se consagrou como escritora, jornalista, contista e ensaísta, tornando-se uma das figuras mais influentes da literatura brasileira e do modernismo e sendo considerada uma das principais influências da nova geração de escritores brasileiros. É comparada pela crítica especializada com os principais autores do modernismo do século XX.

Conhecida desde a juventude por escrever e publicar seus textos, suas principais obras marcam cada período de sua carreira: Perto do coração selvagem, seu livro de estreia; Laços de família; A paixão segundo G.H.; A hora da estrela e Um sopro de vida, seus últimos livros publicados. Morreu em 1977

2 - Para tudo e para todos

Influenciada por autores como Franz Kafka, James Joyce e Virginia Woolf, Clarice deixa transbordar seu intimismo visceral.

Para Joel, esse é um dos motivos que continua atraindo tantos leitores para seus livros. “A obra dela é aberta e multifacetada, permite plurais interpretações. O leitor que terá o papel de ouvir essa voz e socorrer-se. Ele que escolherá a jornada”, diz o autor sobre a temática que não se apaga com o passar do tempo.

Um grito sem resposta, uma escrita que se costura para dentro a fim de indagar as questões da condição humana, como o amor, o nascimento, a morte, o desejo.

Para Clarice, esse era o motivo de escrever. “São temas interessantes até hoje, mas o modo como ela trabalha esses temas nos contos e nos romances é que faz dela uma autora especial. Ela se incomoda com o gesto mais sutil e delicado do ser, o mínimo atrito, ela fotografa a ambiguidade ou ambivalência dos sentimentos como se precisássemos redimensionar nosso modo de ser”.

Para desvendar o que está “atrás de detrás do pensamento” – como disse a própria Clarice – foram escritos nove romances por ela, compilados em uma coletânea lançada recentemente pela Editora Rocco.

Organizada pelo jornalista, escritor e crítico literário José Castello, Clarice na Cabeceira – Romances faz uma síntese da obra em questão e do momento vivido por ela ao escrevê-la. A coletânea é continuação de Clarice na Cabeceira – Contos e Clarice na Cabeceira – Crônicas, em que diferentes personalidades apresentam os textos favoritos da autora.

Em meio à sua prosa poética, Clarice emerge como uma “ficcionista-poeta”, tal como Guimarães Rosa. São nossos dois grandes ficcionistas da modernidade. São ficcionistas-poetas.Por esse motivo, eles têm vida longa nas estantes das livrarias.

3 - Do Brasil para o mundo

De caráter único e universal, a escrita da autora ultrapassou os territórios brasileiros. Afinal, já dizia Guimarães Rosa que se lê Clarice para a vida, para viver. “Os textos de Clarice são importantes porque são vitais, têm a força das ondas do mar, das árvores, do fluxo das águas. Aliás, foi essa força vital que impressionou muitos críticos lá fora e faz dela uma autora de estilo único”, diz Joel ao revelar que ainda fica impressionado com seus textos, que possuem dimensão filosófica que atrai psicanalistas, críticos, filósofos e leitores comuns.

Dos estrangeiros apaixonados pela obra de Clarice, Benjamin Moser aparece como um amante incondicional. O norte-americano nascido em Houston encantou-se por sua escrita já na primeira página de A Hora da Estrela, durante um curso de literatura brasileira da Brown University. Crítico e tradutor, ele aprendeu português e mergulhou na cultura brasileira do século 20 para tentar desvendar a obra enigmática da autora.

Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.

(...)
... uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi o apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.

Clarice Lispector

quarta-feira, 1 de julho de 2015

PRESIDENTE DA ACADEMIA ACREANA DE LETRAS CONVIDA O POVO DO ACRE AO USO DO GENTÍLICO ACREANO

Luisa Galvão Lessa
Presidente da Academia Acreana de Letras


Por que o povo do Acre escreve com /i/ o seu gentílico? A resposta a essa pergunta não encontra eco na história, na tradição, nos tratados linguísticos. Assim, não há lei capaz de mudar o gentílico de um povo. Nós somos ACREANOS. Vamos respeitar um gentílico que faz parte dos costumes, história, tradição do Acre há quase dois séculos.

Alguém poderia responder o seguinte: o Acordo Ortográfico nos obriga a isso. A resposta: NÃO É VERDADE. Ainda não tivemos o Acordo Ortográfico sancionado por todos os países da lusofonia, embora aprovado em 1990, encontra-se, hoje, em discussão no Senado Federal. Acordo significa que todos concordam. Não é o que acontece.

Esse Acordo Ortográfico foi aprovado em 1990, há dez anos, mas nem todos os países da lusofonia o homologaram. Há grande resistência a ele nos três continentes. Portanto, quando alguém abole o trema, porque o trema é desnecessário, está cometendo uma violência. Igualmente quando alguém escreve ACRIANO está atentando contra a nossa identidade, cometendo uma violência à cidadania acreana. Ademais, essa mudança se configura como uma atitude discriminatória, porque o Acordo Ortográfico ainda não está em vigor.E, mesmo que estivesse, não nos obrigaria a romper com as nossas tradições, que estão acima de todos os acordos.

Ditas essa palavras iniciais, compreende a Academia Acreana de Letras que o gentílico acreano é forma consagrada pelo uso regional desde o século XIX, segundo dados colhidos nas obras: Revista do Instituto do Ceará - ANNO XLIV – 1932; Revista do Instituto do Ceará - ANNO LIII – 1939; Revista do Instituto do Ceará - ANNO LIV – 1940; em Subsídios para a História do Alto Purus e Separata da Revista do Instituto do Ceará, Tomo LIV – Ano LIV -- Editora Fortaleza, de autoria de Soares Bulcão.

Também esta Casa cotejou o Folheto Unitas, publicado na typ. e Enc. de A. Loyola, 8 Pará, 1900, em cuja capa traz os seguintes dizeres: “ A Questão do Acre. Manifesto dos Chefes da Revolução Acreana  ao venerando Presidente da República Brazileira, ao povo brazileiro e às praças do commercio de Manaos e do Pará”, com a seguinte legenda: “Os brasileiros livres nunca serão bolivianos”. Independência ou Morte! Viva o Estado Independente do Acre!

Esta Corte, parafraseando a patriótica legenda, diz: “Somos acreanos, nunca acrianos! Isso porque no ano de 1900,  em março, no Pará, um grupo de revolucionários formou a “Comissão Acreana”, em defesa deste solo até, então, boliviano. Neste grupo estavam os nobres heróis criadores do gentílico acreano: Antonio de Sousa Braga, Rodrigo de Carvalho e Gastão de Oliveira. Concordaram e secundaram o manifesto: Hypólito Moreira, Pedro da Cunha Braga, Joaquim Alves Maria, Manoel Odorico de Carvalho, Antonio Alencar Araripe, Joaquim Domingues Carneiro, Luís Barroso de Sousa, Francisco Manuel de Ávila Sobrinho e Raimundo Joaquim da Silva Vianna.

Considera a ACADEMIA ACREANA DE LETRAS que um gentílico não se muda por força de Acordo, Decreto, Lei, porque um gentílico pertence à população do lugar, é nome sagrado que se guarda como um tesouro raro, que dá voz ao adjetivar um povo. E nesse particular, consagrou-se no meio linguístico, em todos os tempos, as sábias palavras do grande gramático Fernão de Oliveira (1536) que “os homens fazem a língua, e não a língua os homens”. Assim, segundo o mestre, “cada um fala como quem é”. E, aqui, no extremo oeste do Brasil a população é acreana, desde o nascimento.

Concluindo, o próprio Acordo diz que os nomes registrados e aqueles que guardam tradições e costumes permanecem inalterados. Por tudo isso, as Ciências Humanas, por mais magníficos e atraentes que sejam seus argumentos lógicos e dialéticos, não propiciam arcabouço seguro para tirar dessa terra acreana o seu gentílico consagrado: acreano. Dito isso tudo, conclamo os acreanos à preservação do nosso gentílico em todos os meios de comunicação, com maior força nas redes sociais.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

ENTREVISTA DA PROFESSORA Dra. LUÍSA GALVÃO LESSA

Excelente entrevista da professora Luísa Galvão Lessa Karlberg IWA, que é Pós-Doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montréal, Canadá; Doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ; Mestra em Língua Portuguesa pela Universidade Federal Fluminense – UFF; Membro da Academia Brasileira de Filologia; Membro da Academia Acreana de Letras; Membro perene da International Writers and Artists Association – IWA; Coordenadora da Pós-Graduação em Língua Portuguesa – Campus Floresta; Pesquisadora DCR do CNPq.

quinta-feira, 12 de março de 2015

LARGO USO DA PALAVRA “COISA”

Luísa Galvão Lessa Karlberg


A Língua Portuguesa é um idioma bastante rico. Também os seus falantes possuem uma criatividade invejável. Assim, há palavras que são utilizadas para designar objetos, dar-lhes atributos, ações, circunstâncias. E uma dessas palavras é “COISA”. De acordo com as gramáticas de Língua Portuguesa, “coisa” pode ser substantivo, adjetivo, advérbio, verbo. Segundo o Dicionário Aurélio: De coisa + -ar. Verbo transitivo direto. Bras. Pop.1. Refletir, matutar; imaginar. Verbo transitivo indireto. 2. Bras. Pop. Cuidar; preparar: F. está coisando do almoço. Verbo intransitivo. 3. Refletir, matutar.

No meio popular, esse verbo “coisar” substitui qualquer outro que não ocorre a quem fala. Logo, “coisa” tem mil e uma utilidades na nossa língua. Quando nos falta uma palavra, “coisa” entra para traduzir o pensamento do falante. De igual modo, nas regiões do Brasil, “coisa” ganha os usos mais diversos, a depender do gosto e dos costumes do lugar. Então, pode-se dizer que essa palavra “coisa” é uma espécie de muleta, que ampara o falante quando este não encontra a palavra exata para exprimir uma ideia. Assim, essa palavra “coisa” vai ganhando as cargas semânticas mais diversas e interessantes. Ela está presente no cotidiano de nossas vidas, na poesia, na música, na literatura.

Em Portugal, por exemplo, “coisar” equivale ao ato sexual, como traduz José Machado, em seu dicionário. No Brasil, em especial no Norte e Nordeste, “coisas” é sinônimo de órgão genital: “E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios” (Riacho Doce, José Lins do Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, “coisa” pode ser cigarro de maconha. Em Olinda, o bloco carnavalesco “Segura a Coisa” tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de “a coisa”. A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: “Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!”.

Na música popular brasileira muita gente boa lançou mão dessa palavra. Alceu Valença canta: “Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já.” Vinícius de Moraes diz: “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (…)”. A garota de Ipanema era a coisa mais linda do mundo. Depois, novamente Vinícius e Tom Jobim: “Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca.” Jobim e Vinicius sabiam das coisas. Caetano Veloso também sabe, olhem como canta: “Alguma coisa acontece no meu coração”.  E, na música “Qualquer Coisa”, ele diz: “Alguma coisa está fora da ordem.” Também Jorge Aragão/Almir Guineto/Luis Carlos da Vila sabem usar a palavra: “Ô Coisinha tão bonitinha do pai...”. Lembram?

E tem mais, “coisa” tem história na MPB. No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré: “Prepare seu coração / Pras coisas que eu vou contar”, e A Banda, de Chico Buarque: “Pra ver a banda passar / Cantando coisas de amor”. Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava nem aí com as coisas: “Coisa linda / Coisa que eu adoro”. Cheio das coisas. As mesmas coisas, Coisa bonita, Coisas do coração, Coisas que não se esquece, Diga-me coisas bonitas, Tem coisas que a gente não tira do coração.

O nosso rei, Roberto Carlos, tem preocupação com a “coisa e canta: “Coisa bonita, coisa gostosa, quem foi que disse que tem que ser magra pra ser formosa? Coisa bonita, coisa gostosa, você é linda, é do jeito que eu gosto, é maravilhosa”. Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade, afinal “são tantas Coisinhas miúdas”. Gal Costa diz: “Esse papo já tá qualquer coisa... Já qualquer coisa doida dentro mexe.”

Na literatura, a “coisa” é coisa antiga. Antiga, mas modernista. Oswald de Andrade escreveu a crônica “O Coisa”, em 1943. “A Coisa” é título de romance de Stephen King. Simone de Beauvoir escreveu “A Força das Coisas”.  Michel Foucault escreveu a fantástica obra “As Palavras e as Coisas”, e por aí vai a “coisa”.

Percebe-se que a palavra “coisa” não tem sexo (gênero), pode ser masculina ou feminina. Coisa-ruim é o capeta, o câncer, a hanseníase, a roubalheira no Brasil. Coisa boa é o Brad Pitt, Richard Gere, Tom Cruise. Nunca vi coisa assim! Coisa de cinema!

Por essas e outras é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. E tal coisa e coisa e tal. O cheio de coisas é o indivíduo chato, cheio de “não-me-toques”. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá para coisa nenhuma. A coisa pública não funciona no Brasil. E a “coisa” não para por aí, nem lá, nem aqui. Tem essa “coisa” do Lava jato e a tal lista de Janot que dá nome às coisas. Tem o alguém a dizer que empreiteiras não foram extorquidas: ‘As coisas eram acordadas’. Depois, lá vem mais “coisa” no BNDES. Melhor ter cuidado no 15 de março, que a coisa, parece-me, vai ficar preta!

Mas, finalmente, para o pobre a coisa está sempre feia. Para os ricos as “coisas” são boas. Aqui tem essa coisa de alagação. Então, todo cuidado é pouco, há muita coisa para ser arrumada no Brasil. Vamos ficar de olho nessas “coisas” para o país não cair, de vez, no descrédito mundial.


* Luísa Galvão Lessa Karlberg IWA– É  Pós-Doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montréal, Canadá; Doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ; Mestra em Língua Portuguesa pela Universidade Federal Fluminense – UFF; Membro da Academia Brasileira de Filologia; Membro da Academia Acreana de Letras; Membro perene da International Writers end Artists Association – IWA; Coordenadora da Pós-Graduação em Língua Portuguesa – Campus Floresta; Pesquisadora DCR do CNPq.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A VERDADE SOBRE A POLÍTICA EDUCACIONAL NO BRASIL

Luísa Galvão Lessa Karlberg


Falam especialistas que o Brasil avançou nos últimos 20 anos, mas a educação freou o desenvolvimento desse período, segundo o IDHM 2013 (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal), divulgado na segunda-feira, 29/07/2014.

No Brasil, entra Governo e sai Governo e a conversa é sempre a mesma: “vamos investir em educação”. Em ano eleitoral, dizem os políticos: “o país avançou muito”. Talvez tenha avançado para o abismo, pois segundo índice divulgado pela Pearson Internacional, que faz parte do The Learning Curve (Curva do Aprendizado, em inglês) e mede os resultados de três testes internacionais aplicados em alunos do 5º e do 9º ano do ensino fundamental, o Brasil ficou em penúltimo lugar.  Dão lições ao mundo a Finlândia e a Coreia do Sul, os dois primeiros lugares. O Brasil só ganhou da Indonésia. É um resultado vergonhoso.

Os dados não são invenção e não possuem coloração partidária. É a constatação de uma educadora que muito trabalha em prol de mudanças positivas. Uma professora que contribuiu para composição dos livros didáticos do Estado de São Paulo. O Acre não quer ajuda nessa área, há, aqui, “medalhões nos salários”, mas que nada escrevem, falam bajulações. Isso não ajuda, prejudica o Estado, o sistema educacional como um todo. Há valores desperdiçados, sábios ignorados. Sabedoria é muito diferente de conhecimento, contudo são a ferramenta necessária para transformar a vida.

Então, votando aos dados, eles saíram do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), do documento Tendências em Estudo Internacional de Matemática e Ciência (TIMSS) e do Progresso no Estudo Internacional de Alfabetização (PIRLS) que compreendem o aprendizado de matemática, leitura e ciência dos alunos.
O desempenho de cada país mostra se ele está acima ou abaixo da média calculada a partir dos dados de todos os participantes. Segundo esses dados divulgados no último dia 27 de julho de 2014, 27 dos 40 países ficaram acima da média, enquanto 13 estão abaixo do valor mediano. O Brasil, que teve pontuação de -1.65, foi incluído no grupo 5, onde estão as sete nações com a maior variação negativa em relação à média global. É um dado assustador, fruto do descaso e do pouco compromisso com a educação brasileira.

A ONU, em 14/07/2014, por meio do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), diz que o Brasil deve investir em “políticas educacionais ambiciosas”, para mudar a sua demografia.Todos os dados apontam que o Brasil vai mal, muito mal nas políticas educacionais. É um país que não respeita os professores.

E como é um sistema educacional eficaz? É aquele em que os alunos aprendem, passam de ano e concluem a educação básica. Esta é uma afirmação de que poucos vão discordar. Entretanto, a maioria dos sistemas educacionais no Brasil não cumpre essa missão. Há descaso, desvio de recursos, investimentos pífios, salários aviltantes pagos aos professores, escolas sem segurança, mal aparelhadas, sem infraestrutura, que pouco ou nada atraem os jovens, que preferem as ruas, as drogas, a violência, os furtos. Quando não, ficam em casa e quando saem para a escola procuram ir para lugares mais agradáveis.

O governo brasileiro, por meio do Inep, definiu metas para os sistemas educacionais e as escolas aperfeiçoarem a qualidade da educação oferecida, criando um índice de qualidade, chamado Ideb, para cada um dos três segmentos da educação básica. Mas de tudo que se diz, fica a pergunta: essas metas no Inep são suficientes para o país sair do atraso educacional?

Há medidas urgentes: escolas em tempo integral; professores motivados; escolas aparelhadas para que as pessoas nelas desejem permanecer com alegria, satisfação. Então, qualquer política de melhoria da qualidade dos sistemas escolares devem contemplar os três aspectos simultaneamente: o professor deve ensinar; o aluno deve aprender e passar de ano.

Finaliza-se com a frase memorável de Eduardo Campos: “O Brasil tem jeito”. Devemos exigir prioridade à Educação, sem ela Nunca avançamos, exceto para cair no abismo onde o país está mergulhado. Necessitamos de ações, promessas nem os santos aceitam mais.


* Luísa Galvão Lessa Karlberg IWA – É Pós-Doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montréal, Canadá; Doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ; Mestra em Língua Portuguesa pela Universidade Federal Fluminense – UFF; Membro da Academia Brasileira de Filologia; Membro da Academia Acreana de Letras; Membro perene da International Writers end Artists Association – IWA; Coordenadora da Pós-Graduação em Língua Portuguesa – Campus Floresta; Pesquisadora DCR do CNPq.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

ONDE ESTÁ O POETA?

Luísa Lessa


Não busquem pelo poeta
Na estrofe ou na curva dos versos,
Eu não sou fantasma para viver em papeis dispersos,
E cobrir o rosto num véu celestial,
E depois me mostrar igualmente colegial.
Eu habito alguns poemas,
N’outros versejo na sombra das rimas,
Mas não vivo de quimeras,
Assim não tolero feras,
Que de mim digam esmeras.
Não me procure nas contravoltas dos poemas,
Eu estou nas metonímias e metáforas dos ecossistemas,
Ou nas figuras de linguagem,
Que tanto dizem, fazem e desfazem,
Tudo por meio da linguagem.
Não estou aqui nem ali,
Habito os ancestrais dos rios,
Das matas nos desafios,
Sem confessar a quem,
Onde vou encontrar alguém.
Eu viajo no ar da brisa,
Nos encantos da Monalisa,
Nas fábulas de La Fontaine,
Os pés na terra e o olhar online,
Embalada na ternura de Exupéry Antoine.


Luísa Lessa é da Academia Brasileira de Filologia, da Academia Acreana de Letras, membro-fundadora da Academia dos Poetas Acreanos e membro da International Writers and Artists Association (IWA).

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

LUÍSA LESSA É DIPLOMADA MEMBRO DA INTERNATIONAL WRITERS AND ARTISTS ASSOCIATION

A professora e escritora acreana Luísa Galvão Lessa agora faz parte de uma das mais importantes entidades de escritores do mundo, a International Writers and Artists Association (IWA), sediada na cidade de Toledo, Ohio, USA. A Associação Internacional de Escritores e Artistas, fundada em 1978, é a maior associação do mundo, e reúne em seu quadro príncipes, artistas, escritores, presidentes, etc. A IWA faz intercâmbio entre escritores do mundo inteiro e seus órgãos de divulgação nas mais diversas línguas. Tem mais de mil e duzentos membros, em cinco continentes. Luísa Lessa é natural de Tarauacá, e uma das educadoras mais respeitadas do Acre, membro da Academia Brasileira de Filologia e da Academia Acreana de Letras. Abaixo transcrevemos sua carta endereçada a Teresinka Pereira, presidente da IWA.


CARTA AO IWA
Rio Branco, 10 de setembro de 2014

Ilma. Sra.
Prof.ª. Dr.ª Teresinka Pereira

MD. Presidente da IWA – Embaixadora at Large do Parlamento Mundial dos Estados para Segurança e Paz e Presidente de Honra da IWA

Os meus cordiais e respeitáveis cumprimentos a Vossa Excelência, extensivos a todos os imortais dessa honrosa instituição IWA, que ora me acolhem como membro perene dentre as personalidades de 137 países do globo. Sinto-me muito pequena para um mundo tão gigante e valioso pelos escritores e poetas que agrega essa prestigiosa instituição.

Recebo o diploma de membro perene, com honra e humildade. Eu, nascida no Igarapé Humaitá, Seringal São Luís, habitado por algumas tribos indígenas – situado às cabeceiras do Rio Muru, distante de Tarauacá oito dias de barco, em meio a Floresta Amazônica – nunca sonhei chegar tão longe e alcançar tão alta honraria. Por mais distante que os sonhos me levassem, eles não foram ousados para me conduzir a Toledo, Ohio, USA, lugar onde os nobres confrades me acolhem como membro perene da International Writers end Artists Association – IWA, quando posso votar na escolha do Prêmio Nobel da Literatura e Prêmio Nobel da Paz. Meu Deus, quanta bênção na minha vida!

Eu agradeço pela distinção e apreço. E, nesta breve mensagem eu me curvo diante da nobreza desta gloriosa instituição. Eu, assim como muitos amazônidas, fui à luta, ‘caí no mundo’, como se diz popularmente. E foi nele que aprendi as lições mais sublimes, que redimem meus pecados e lavam a minh’alma feminina, forte e livre para ir adiante, sempre, promovendo a Língua Portuguesa, o Ensino Superior, a Graduação e a Pós-Graduação da Universidade Federal do Acre, a Cultura Amazônica, a Pesquisa Científica Brasileira, a Poesia e a Literatura de expressão Amazônica.

Por tudo que recebo eu digo à Embaixadora at Large do Parlamento Mundial dos Estados para Segurança e Paz e Presidente de Honra da IWA, a brasileira, Dra. Teresinka Pereira, poderá apertar minha mão e sentir que carrego na alma, na vida, na profissão que exercito, a arte, a cultura, a vida e o humanismo, olhando-os como um legado precioso para aqueles que chegarão depois de nós.

E o melhor de tudo é que embora não estejamos diante do mesmo espelho, estamos nos olhando sempre pelos caminhos da literatura, da arte, da cultura, do cultivo ao idioma pátrio. É como diz Guimarães Rosas “o mais importante e bonito do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando”. Afinam ou desafinam. E nós, ao que tudo indica, temos afinado a canção amazônica e porque não dizer brasileira?

É grande a honraria em ser confreira de Renã Leite Pontes (Brasil); do Príncipe Di Manzartille (Itália); Eduardo Galeano (Uruguai); Toni Morrison (Prêmio Nobel de Literatura – (USA); Ariano Suassuna (Brasil); Fernando Henrique Cardoso (Presidente do Brasil, 1994 - 2002); Leonardo Boff (Brasil); Prince Giuseppe Benvenuto 1o Agatino Raddino de Gevaudan de la Casa Real di Horistal y de las Valadas Occitanas (Itália), Marcel Marceau (France), Noam Chomsky (USA), Fernando Alegria (Chile), Carlos Drummond de Andrade (Brasil), Rigoberta Menchü (Peace Nobel Prize in 92, Guatemala) Ernesto Sábato (Argentina); Melina Merkuri (Grécia), Hedi Bouraoui (Tunísia), Príncipe Dom Duarte Nuno João Pio de Orleans e Bragança (Portugal), Eugene Ionesco (Romania), Jorge Guillön and Francisco Garcia Pavön (Espanha), Juan Rulfo (México), Julio Cortäzar (Argentina), Fröddric Maire (França), dentre outros importantes escritores e acadêmicos, nos 137 países de espectro da associação.

Eu sou de estatura pequena para caminhar ao lado de tantas grandezas, mas honrarei esse diploma como o maior tesouro que a vida me presenteou na estação outonal dos meus 60 anos.

Que Deus nos ilumine e nos abençoe sempre. Aceite minha eterna gratidão.

Respeitosamente,
Luísa Galvão Lessa Karlberg IWA

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

MÁSCARA DA POLÍTICA EDUCACIONAL NO BRASIL

Luísa Lessa


Falam especialistas que o Brasil avançou nos últimos 20 anos, mas a educação freou o desenvolvimento desse período, segundo o IDHM 2013 (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal), divulgado na segunda-feira, 29/07/2014.

No Brasil, entra Governo e sai Governo e a conversa é sempre a mesma: “vamos investir em educação”. Em ano eleitoral, dizem os políticos: “o país avançou muito”. Talvez tenha avançado para o abismo, pois segundo índice divulgado pela Pearson Internacional, que faz parte do The Learning Curve (Curva do Aprendizado, em inglês) e mede os resultados de três testes internacionais aplicados em alunos do 5º e do 9º ano do ensino fundamental, o Brasil ficou em penúltimo lugar. Dão lições ao mundo a Finlândia e a Coreia do Sul, os dois primeiros lugares. O Brasil só ganhou da Indonésia. É um resultado vergonhoso.

Os dados não são invenção e não possuem coloração partidária. É a constatação de uma educadora que muito trabalha em prol de mudanças positivas. Uma educadora que contribuiu para composição dos livros didáticos do Estado de São Paulo. O Acre não quer ajuda nessa área, há, aqui, “medalhões nos salários”, mas que nada escrevem, falam bajulações. Isso não ajuda, prejudica o Estado, o sistema educacional como um todo.

Então, votando aos dados, eles saíram do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), do documento Tendências em Estudo Internacional de Matemática e Ciência (TIMSS) e do Progresso no Estudo Internacional de Alfabetização (PIRLS) que compreendem o aprendizado de matemática, leitura e ciência dos alunos.

Veja-se o Ranking Global de Habilidades Cognitivas e Realizações Educacionais:

1.Finlândia
2. Coreia do Sul
3. Hong Kong
4. Japão
5. Cingapura
6. Grã-Bretanha
7. Holanda
8.Nova Zelândia
9. Suíça
10. Canadá
11. Irlanda
12.Dinamarca
13. Austrália
14. Polônia
15. Alemanha
16. Bélgica
17. Estados Unidos
18. Hungria
19.Eslováquia
20. Rússia
21. Suécia
22.  República Tcheca
23. Áustria
24. Itália
25. França
26. Noruega
27. Portugal
28. Espanha
29. Israel
30. Bulgária
31. Grécia
32.Romênia
33. Chile
34.Turquia
35.Argentina
36.Colômbia
37. Tailândia
38. México
39.BRASIL
40.Indonésia

Fonte:Pearson/EIU

O desempenho de cada país mostra se ele está acima ou abaixo da média calculada a partir dos dados de todos os participantes. Segundo esses dados divulgados no último dia 27 de julho de 2014, 27 dos 40 países ficaram acima da média, enquanto 13 estão abaixo do valor mediano. O Brasil, que teve pontuação de -1.65, foi incluído no grupo 5, onde estão as sete nações com a maior variação negativa em relação à média global. É um dado assustador, fruto do descaso e do pouco compromisso com a educação brasileira.

A ONU, em 14/07/2014, por meio do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), diz que o Brasil deve investir em "políticas educacionais ambiciosas", para mudar a sua demografia.Todos os dados apontam que o Brasil vai mal, muito mal nas políticas educacionais.

E como é um sistema educacional eficaz? É aquele em que os alunos aprendem, passam de ano e concluem a educação básica. Esta é uma afirmação de que poucos vão discordar. Entretanto, a maioria dos sistemas educacionais no Brasil não cumpre essa missão. Há descaso, desvio de recursos, investimentos pífios, salários aviltantes pagos aos professores, escolas sem segurança, mal aparelhadas, sem infraestrutura, que pouco ou nada atraem os jovens, que preferem as ruas, as drogas, a violência, os furtos. Quando não, ficam em casa e quando saem para a escola procuram ir para lugares mais agradáveis.

O governo brasileiro, por meio do INEP, definiu metas para os sistemas educacionais e as escolas aperfeiçoarem a qualidade da educação oferecida, criando um índice de qualidade, chamado IDEB, para cada um dos três segmentos da educação básica. Mas de tudo que se diz, fica a pergunta: essas metas no INEP são suficientes para o país sair do atraso educacional?

Há medidas urgentes: escolas em tempo integral; professores motivados; escolas aparelhadas para que as pessoas nelas desejem permanecer com alegria, satisfação. Então, qualquer política de melhoria da qualidade dos sistemas escolares devem contemplar os três aspectos simultaneamente: o professor deve ensinar; o aluno deve aprender e passar de ano.

Finaliza-se com a frase memorável de Eduardo Campos: “ O Brasil tem jeito”. Devemos exigir prioridade à Educação, sem ela NUNCA avançamos, exceto para cair no abismo.

*Luísa Lessa é da Academia Brasileira de Filologia e da Academia Acreana de Letras.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

NOVA DANÇA

Luísa Lessa

Escrevo num grito de dor,
Com o coração partido, ferido, sangrado.
Escrevo versos soltos, frases d’alma traída,
Enganada por lâmina de aço em furor.

Escrevo para expulsar da memória a ingratidão,
Demolir o agito do coração.
Escrevo com o sangue quente, consciente,
O peito limpo, a alma rumo ao oriente.

Escrevo para afugentar a tolice,
De acreditar em perdulário amor.
Escrevo tal guerreiro, pensador,
Ser idealista convicto de labor.

Escrevo porque o poema é enganador,
Esconde a voz, a alma, a mente.
Escrevo para florescer nova semente,
Em plantio desbravador.

Escrevo pelo viver sagrado,
De poeta versejador.
Escrevo pela fé e esperança,
No viver feliz em segurança.

Escrevo para um novo caminho,
Esquecer o engano daninho.
Escrevo pelo passo da dança,
Do sonho, da ponte ao novo ninho.

Escrevo para fazer o novo,
Esquecer a tempestade avassaladora.
Escrevo para um tempo vigoroso,
Pleno de amor viçoso.

Escrevo para dizer adeus,
Agora para o todo e sempre.
Escrevo de alma serena,
Raiz de vida e fonte suprema.

Escrevo para a despedida minha,
Dizer-te adeus sem medida.
Escrevo para falar da falsidade,
Do engano e da maldade.

Escrevo para dizer FIM,
Ao ser fingidor.
Escrevo a ti somente,
Num adeus sem o anjo Serafim.


* Luísa Galvão Lessa é da Academia Brasileira de Filologia e da Academia Acreana de Letras. Poema publicado em sua página LINGUAGEM E CULTURA.
* Fotografia em Curiosos No Mundo