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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O TEMPO

Emily Dickinson (1830-1886)


Dizem que o tempo ameniza.
Isto é faltar com a verdade.
Dor real se fortalece
Como os músculos, com a idade.

É um teste no sofrimento
Mas não o debelaria.
Se o tempo fosse remédio
Nenhum mal existiria.


DICKINSON, Emily. Poemas. Tradução Idelma Ribeiro de Faria. São Paulo: Hucitec, 1986. p.87 (p.s. no original, o poema não consta título)

sexta-feira, 18 de abril de 2014

EMILY E A ANGÚSTIA

Emily Dickinson (1830-1886)


Reflito, a Terra é pequena
A angústia – absoluta –
Muitos os males,
Mas o que importa?

Penso, podemos morrer.
A melhor vitalidade
Acaba por perecer.
Mas o que importa?

Cogito que lá no céu
– Não sei como – deve haver
Alguma nova equação.
Mas, e então?

*

Eu saberei porque, quando findar o tempo
E quando dos porquês eu não mais cogitar.
Na escola do céu toda sorte de angústias,
Cada uma por si, Cristo irá explicar.

Ele me falará das promessas de Pedro.
Perplexa, ao recordar todo o horror dessa hora,
Por certo esquecerei esta gota de angústia
Que me escalda agora, que me escalda agora.

*

Minha vida duas vezes
Encerrou-se antes do fim;
Outro evento para mim
Incrível, sem esperança,

Imenso como os primeiros
Talvez se oculte no Eterno.
O que sabemos do céu
– O adeus –
É o que nos basta do inferno.


DICKINSON, Emily. Poemas. Tradução Idelma Ribeiro de Faria. São Paulo: Hucitec, 1986. 73, 83, p.89

domingo, 23 de fevereiro de 2014

EMILY DICKINSON três poemas

Emily Dickinson (1830-1886)


Para preencher um Vazio
Ponha de volta Aquilo que o causou.
Baldado cobri-lo
Com outra coisa – sua boca vai
                                               Mais se escancarar –
Não se pode soldar o Abismo
Com ar


Eu nunca vi o urzedo,
Eu nunca vi o mar –
Mas posso tanto a urze
Como a onda adivinhar.

Eu nunca falei com Deus
Nem nunca o céu visitei –
Mas sei que o lugar existe –
Como quem já teve o ‘visto’
Em sua passagem de trem.


A percepção de um Objeto custa
Justo a perda do Objeto.
A percepção é, em si mesma, um ganho
Respondendo por seu preço.

O Objeto Absoluto – é nada –
A Percepção é que o revela –
Depois censura a Perfeição
Que tão longe se encastela.


DICKINSON, Emily. Uma centena de poemas: Emily Dickinson. Tradução, introdução e notas por Aila de Oliveira Gomes. São Paulo: T.A. Queiroz: Ed. da Universidade de São Paulo, 1984. p.83, 131

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Poemas de EMILY DICKINSON


Para fazer uma campina
Basta um só trevo e uma abelha.
Trevo, abelha e fantasia.
Ou apenas fantasia
Faltando a abelha.

---

Talvez seja mais fácil perecer
            Com terra à vista
Do que alcançar minha península azul
            E de deleite me perder

---

Lá onde os pássaros chegam sem temor
            E as abelhas tranquilas vão brincar,
Que o forasteiro afaste suas lágrimas
            Antes de se aproximar. 





DICKINSON, Emily. Poemas. Tradução Idelma Ribeiro de Faria. São Paulo: Hucitec, 1986. p.99, 105 e 121

domingo, 25 de agosto de 2013

PARA PREENCHER...

Emily Dickinson (1830-1886)


Para preencher um Vazio
Ponha de volta Aquilo que o causou.
Baldado cobri-lo
Com outra coisa – sua boca vai
                                               Mais se escancarar –
Não se pode soldar o Abismo
Com ar 




DICKINSON, Emily. Uma centena de poemas: Emily Dickinson. Tradução, introdução e notas por Aila de Oliveira Gomes. São Paulo: T.A. Queiroz: Ed. Da Universidade de São Paulo, 1984. p.83

> Leia aqui outros poemas de Emily Dickinson.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

EMILY DICKINSON

Seu eu puder evitar que um coração se parta
Não viverei em vão.
Seu eu puder suavizar a aflição de uma vida
Aplacar uma dor,

Ou ajudar um frágil passarinho
A retornar ao ninho,
Não viverei em vão.

---

Reflito, a Terra é pequena
A angústia – absoluta –
Muitos os males,
Mas o que importa?

Penso, podemos morrer.
A melhor vitalidade
Acaba por perecer.
Mas o que importa?

Cogito que lá no céu
– Não sei como – deve haver
Alguma nova equação.
Mas, e então?


DICKINSON, Emily. Poemas. Tradução Idelma Ribeiro de Faria. São Paulo: Hucitec, 1986. p.25, 73

> Neste blog, acesse aqui outros poemas de Emily Dickinson.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

EMILY DICKINSON: alguns poemas

 




***


Morri pela beleza e mal estava
Ao túmulo ajustado
Alguém veio habitar a sepultura ao lado.
(Defendera a verdade.)

Baixinho perguntou: “Por que morreste?”
“Pela beleza”, respondi.
“E eu pela verdade. São ambas uma só.
Somos irmãos”, me disse.

E assim como parentes que à noite se encontram
Entre os jazigos conversamos,
Até que o musgo alcançou nossos lábios
E cobriu nossos nomes.
                                                    

***


Não com um bordão um coração se parte.
Nem com uma pedra.
Um açoite
Tão pequenino que você não vê,
Eu o vi ferir,
Até a enfeitiçada criatura
Sucumbir.
Nobre demais é o nome deste açoite.
Não o digo jamais.

Magnânimo o pássaro
Visto pelo menino.
Cantou
Para a pedra que o matou.


***


Dizem que o tempo ameniza.
Isto é faltar com a verdade.
Dor real se fortalece
Como os músculos, com a idade.

É um teste no sofrimento
Mas não o debelaria.
Se o tempo fosse remédio
Nenhum mal existiria.


***


Esta poeira quieta foi outrora,
Senhoras, cavalheiros e crianças;
Foi talentos, foi risos e suspiros
Blusas, batinas, tranças.

Este lugar foi vívida mansão
De jardins bem-cuidados,
Onde flores e abelhas perfaziam
Circuitos de verão. Hoje é passado.



DICKINSON, Emily. Poemas. Tradução Idelma Ribeiro de Faria. São Paulo: Hucitec, 1986. p.23, 59, 87, 95.